Terça-feira, 1 de setembro de 2026

Governo sanciona lei que reduz impostos sobre combustíveis

Representantes da indústria sucroenergética veem a medida como correção de distorção tributária, melhorando a competitividade do etanol

Governo sanciona lei que reduz impostos sobre combustíveis
A legislação foi criada em resposta aos impactos econômicos provocados pela alta do petróleo no mercado internacional em meio ao conflito no Oriente Médio. O objetivo é permitir ao governo utilizar uma parcela da arrecadação adicional gerada pela valorização do petróleo para compensar a redução de tributos sobre combustíveis.
Inicialmente, o projeto contemplava diesel, biodiesel, gasolina e etanol. Durante a tramitação no Congresso, o querosene de aviação também foi incluído no mecanismo.
Dessa forma, caso haja redução da tributação sobre gasolina e diesel, o governo deverá preservar a vantagem tributária do biocombustível existente antes do conflito no Irã.
A lei ainda prevê uma ajuda financeira de até R$ 1,2 bilhão para produtores e cooperativas de etanol hidratado. A compensação considera o período entre 25 de maio e 11 de agosto, quando houve apoio governamental à gasolina.
Para o setor sucroenergético, a medida é vista como uma correção de uma distorção tributária que, segundo representantes da indústria, vinha prejudicando a competitividade do etanol hidratado diante da gasolina.
Para Mário Campos Filho, presidente da Bioenergia Brasil, a aprovação representa uma conquista importante para o setor. “É a correção de uma distorção de mercado e uma excelente oportunidade para o setor se recolocar no mercado”, afirmou.
Segundo Campos, a Constituição já estabelece, desde 2022, que os biocombustíveis devem receber tratamento tributário diferenciado em relação aos combustíveis fósseis. Na avaliação do executivo, o novo mecanismo ajuda a restabelecer essa diferenciação e cria condições mais favoráveis para a competitividade do etanol hidratado.
Mecanismo de compensação
A nova lei estabelece regras para que eventuais renúncias de receita decorrentes da redução dos tributos sejam compensadas pela arrecadação adicional obtida com a valorização do petróleo. Dessa forma, o governo poderá adotar medidas tributárias para conter os efeitos de choques de preços no mercado de energia sem provocar uma perda equivalente de receitas públicas.
A legislação prevê que o mecanismo poderá ser acionado diante de condições específicas relacionadas ao comportamento dos preços internacionais do petróleo.
Para o setor de etanol, a medida ganha relevância em um momento em que o biocombustível busca ampliar sua participação no mercado brasileiro. Desde 1º de agosto, a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina passou de 30% para 32%, elevando o consumo estrutural do biocombustível.
A nova legislação se soma, portanto, a outras medidas recentes que aumentam a participação do etanol na matriz de combustíveis brasileira e podem melhorar a competitividade do produto diante da gasolina.
O texto havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados em 12 de agosto e, no mesmo dia, recebeu o aval dos senadores, seguindo posteriormente para sanção presidencial.
O projeto foi apresentado inicialmente pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e começou a ser discutido em abril. A ideia original era permitir que o governo utilizasse receitas extraordinárias obtidas com a valorização do petróleo e do gás para compensar uma eventual redução de tributos sobre os combustíveis.
Conteúdo parceiroFrigorifico Boa Carne
Esta informação foi útil?Compartilhe com seus contatos.
Auto Posto Pit Stop
Conexão especial Auto Posto Pit Stop Conhecer parceiro