Um homem foi torturado por dois integrantes do Comando Vermelho, sendo um deles adolescente, durante uma ação criminosa registrada na tarde deste domingo (23), em Cáceres, a 218 quilômetros de Cuiabá. Durante as agressões, a vítima foi obrigada a assistir, por chamada de vídeo, à ex-companheira, Francirlene Oliveira Santos, de 51 anos, amarrada e machucada.
A mulher permanece desaparecida e o paradeiro dela é tratado como um dos principais pontos da investigação.
Conforme o boletim de ocorrência, os criminosos chegaram à residência do homem e o adolescente teria dito que “a família” precisava conversar com ele sobre uma determinada pessoa.
Na sequência, o menor mostrou o celular. Na chamada de vídeo, Francirlene aparecia amarrada, amordaçada e com ferimentos pelo corpo.
Segundo o relato registrado pela vítima, o adolescente afirmou:
“É o seguinte, ela está falando que aqui na sua casa tem uma pistola e que está no seu armário”.
Em seguida, o homem foi colocado em uma cadeira e amarrado pelos criminosos. Uma faca teria sido encostada em seu pescoço enquanto os suspeitos exigiam que ele entregasse uma suposta pistola e drogas que estariam escondidas na residência.
Durante a ação, a vítima também teria sido enforcada e ameaçada pelos criminosos.
Ainda segundo o relato, o homem foi obrigado, mesmo amarrado, a pular o muro que dava acesso ao imóvel vizinho. Com a queda, acabou desmaiando.
Quando recuperou a consciência, conseguiu retornar para casa e encontrou o imóvel completamente revirado.
A Polícia Militar foi acionada e iniciou as buscas pelos envolvidos.
Por meio de imagens de câmeras de segurança, os policiais conseguiram identificar duas motocicletas que teriam sido utilizadas pelos criminosos durante a ação.
As equipes localizaram os endereços dos proprietários dos veículos e foram até os imóveis.
Na primeira residência, uma mulher informou que a motocicleta pertencia a ela e que seu filho havia saído com o veículo.
O adolescente apontado como um dos envolvidos também foi localizado. Ao perceber a presença dos policiais, ele teria quebrado o próprio celular e arremessado o aparelho por cima do telhado, numa tentativa de eliminar possíveis provas.
O menor foi apreendido e encaminhado para a delegacia.
O outro envolvido, identificado apenas pelo apelido de “Lagoa”, não foi localizado durante as diligências.
A Polícia Civil investiga o caso e tenta esclarecer a participação de cada suspeito, além de descobrir o paradeiro de Francirlene.
Segundo as informações registradas na ocorrência, tanto a mulher desaparecida quanto o homem que sofreu a tortura teriam ligação com o crime organizado.
Até o momento, contudo, não há informações sobre onde Francirlene está ou sobre o que teria acontecido com ela após a chamada de vídeo.
A investigação deverá reunir imagens de segurança, depoimentos e demais elementos para tentar localizar a mulher e esclarecer a dinâmica da ação criminosa.


