Sábado, 10 de outubro de 2026

Homem passa 28 anos dando a volta ao mundo, percorre 50 mil km, 29 países e finalmente volta para casa após nadar 34 km

Aos 57 anos, Karl Bushby chegou à Inglaterra após 28 anos de jornada e agora enfrenta os últimos 400 quilômetros até Hull

Homem passa 28 anos dando a volta ao mundo, percorre 50 mil km, 29 países e finalmente volta para casa após nadar 34 km

Karl Bushby passou 28 anos percorrendo o mundo sem usar transporte para avançar e voltou ao Reino Unido nadando. Aos 57 anos, o aventureiro britânico

completou a travessia do Canal da Mancha entre a França e a Inglaterra na segunda-feira (5).

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Bushby chegou à Shakespeare Beach, perto de Dover, às 15h30 no horário local. Para percorrer os cerca de 34 quilômetros entre os dois países, ele passou aproximadamente 20 horas na água ao longo de três dias. Agora, ainda faltam cerca de 400 quilômetros até Hull.

Confira uma galeria de imagens da jornada durante esses 28 anos

Território percorrido pelo explorador/Divulgação redes socias
Território percorrido pelo explorador/Divulgação redes socias
Karl Bushby empurra carrinho com equipamentos por estrada em região desértica durante os primeiros anos da Goliath Expedition.
Ainda nos primeiros anos da Goliath Expedition, Karl Bushby atravessa uma região árida enquanto empurra o carrinho usado para transportar seus equipamentos. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Karl Bushby sentado em meio à floresta durante travessia do Tampão de Darién em 2001.
Karl Bushby descansa em meio à vegetação durante a travessia entre Colômbia e Panamá, em 2001. /Foto: Arquivo Karl Bushby

Karl Bushby ao lado de carrinho com equipamentos durante passagem pelo México em 2002.
Bushby aparece ao lado do carrinho utilizado para carregar seus pertences durante a passagem pelo México, em 2002. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Karl Bushby com carrinho e mochila em estrada entre montanhas no Canadá durante a Goliath Expedition.
Karl percorre uma estrada cercada por montanhas no Canadá, em 2004. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Karl Bushby atravessa blocos de gelo no Estreito de Bering com trenós e equipamentos em 2006.
Em 2006, Karl Bushby enfrenta enormes blocos de gelo durante a histórica travessia do Estreito de Bering, entre o Alasca e a Rússia. /Foto: Arquivo Karl Bushby/karlbushby.world
Karl Bushby e Dimitri Kieffer seguram bandeira da Goliath Expedition após travessia do Estreito de Bering.
Em seguida, Bushby e Dimitri Kieffer celebram a chegada a Uelen, na Rússia, após atravessarem o Estreito de Bering em 2006. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Karl Bushby sobre esquis puxando trenó em extensa paisagem coberta de neve na Rússia.
Karl Bushby avança sobre a neve puxando um trenó na Rússia, em 2007. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Karl Bushby empurra carrinho carregado de equipamentos por rodovia nos Estados Unidos em 2014.
Bushby empurra seu carrinho por uma rodovia nos Estados Unidos, em 2014. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Karl Bushby em paisagem congelada da Mongólia com trenó carregado de equipamentos.
Em 2016, Karl enfrenta uma extensa região coberta de neve durante sua passagem pela Mongólia. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Karl Bushby deixa abrigo com equipamentos e carrinho durante passagem pela China em 2018.
Karl Bushby deixa um abrigo improvisado e prepara seus equipamentos para continuar a caminhada durante sua passagem pela China, em 2018. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Karl Bushby nada no Mar Cáspio durante travessia realizada em 2024.
Bushby nada pelo Mar Cáspio durante a travessia realizada em 2024 para manter sua rota contínua em direção à Europa. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Karl Bushby observa raios durante tempestade ao lado de seu acampamento no Cazaquistão.
Karl Bushby observa uma tempestade próxima ao local onde montou acampamento durante sua passagem pelo Cazaquistão, em 2019. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Karl Bushby com roupa e equipamentos utilizados durante a travessia do Mar Cáspio em 2024.
Aos 55 anos, Karl Bushby aparece com os equipamentos utilizados para enfrentar a travessia do Mar Cáspio, um dos maiores desafios da fase final da expedição. /Foto: Arquivo Karl Bushby
Agora na Hungria, o explorador está nos últimos 1.500 km antes de chegar a Hull, sua cidade natal/Divulgação
O explorador está perto chegar a Hull, sua cidade natal/Divulgação
Homem passa 28 anos dando a volta ao mundo, percorre 48 mil km, 29 países e finalmente volta para casa após nadar 34 km - Karl (3)
Por fim, Karl finalmente volta ao Reino Unido / Karl Bushby
Homem passa 28 anos dando a volta ao mundo, percorre 48 mil km, 29 países e finalmente volta para casa após nadar 34 km - Karl (3)
Em seguida, o aventureiro explica como foi a travessia do Canal da Mancha / Karl Bushby
Homem passa 28 anos dando a volta ao mundo, percorre 48 mil km, 29 países e finalmente volta para casa após nadar 34 km - Karl (3)
Karl Bushby em entrevista / Karl Bushby

Karl Bushby percorreu o mundo sem usar transporte

A princípio, a jornada começou em 1º de novembro de 1998, quando Bushby deixou Punta Arenas, no sul do Chile, aos 29 anos. Assim, o objetivo era percorrer o mundo sem usar transporte para avançar e chegar até Hull, cidade inglesa onde fica a casa de sua mãe.

De fato, Bushby imaginava que conseguiria completar o percurso em cerca de 12 anos. Quase três décadas depois, ele ainda está nos quilômetros finais.

Desde o início, o aventureiro estabeleceu duas regras. Ele não poderia usar transporte para avançar na expedição e também não voltaria ao Reino Unido até completar a jornada.

A ideia surgiu quando Bushby ainda era paraquedista. Outros soldados disseram que o plano era impossível. Bushby decidiu tentar mesmo assim.

Ele percorreu mais de 30 mil milhas, cerca de 50 mil quilômetros, por 29 países. A rota passou pela América do Sul, pelo Darien Gap e seguiu em direção ao norte.

Depois, Bushby cruzou o Estreito de Bering a pé, nadando nos trechos necessários para avançar. A partir dali, continuou pela Sibéria e por outras regiões da Ásia.

No Mar Cáspio, a travessia levou 31 dias.

Você teria coragem de encarar uma jornada como essa?

Atravessar o Canal da Mancha virou a única saída

A expedição sofreu várias interrupções ao longo dos anos. Restrições de visto, a crise financeira de 2008, a pandemia de Covid-19 e mudanças geopolíticas fizeram Bushby parar em diferentes momentos.

Porém, ainda faltava uma barreira: o Canal da Mancha.

Em junho, responsáveis pelo Eurotúnel rejeitaram o pedido de Bushby para usar um túnel de serviço. Dessa forma, sem essa alternativa, nadar pelo Canal da Mancha se tornou o caminho que restava para entrar no Reino Unido.

Assim, sua equipe conseguiu autorização das autoridades francesas e britânicas para realizar a travessia. Por segurança, o horário exato foi mantido em sigilo.

Além disso, Bushby também não tinha a natação como especialidade. Para completar a travessia, fez boa parte do percurso de costas, uma técnica que considerava mais eficiente para economizar energia.

Ao todo, foram cerca de 20 horas na água, divididas em três dias.

Karl Bushby é recebido pela família após chegar ao Reino Unido

Depois de três dias no mar, Bushby voltou ao solo britânico. Amigos e familiares esperavam pelo aventureiro na praia, incluindo seu pai, Keith Bushby, ex-soldado do SAS britânico.

O cineasta Werner Herzog também estava no local. Ele acompanha a expedição e dirige um documentário de longa-metragem sobre a jornada, chamado “Walk of Life”.

Agora, Bushby precisa caminhar cerca de 400 quilômetros até Hull, onde fica a casa de sua mãe, Angela.

Os dois não se encontram pessoalmente desde 2015. A previsão é que Bushby chegue à cidade no início de novembro.

Após chegar à Inglaterra, Bushby falou sobre voltar ao país depois de quase três décadas.

“É bom ter o solo do Reino Unido sob meus pés depois de todos esses anos. Não foi fácil, e esse é parte do objetivo: provar que sou mais capaz do que imagino”, afirmou.

Em seguida, deixou outra mensagem: “Todos nós podemos realizar mais do que jamais imaginaremos.”

Karl Bushby ainda precisa chegar a Hull

Por fim, mesmo após completar a travessia do Canal da Mancha, Bushby ainda não encerrou oficialmente a expedição. O destino final continua sendo Hull, no norte da Inglaterra.

Em setembro, ele disse à BBC que já sentia que era “definitivamente hora de encerrar” a jornada.

Agora, resta caminhar cerca de 400 quilômetros até a casa da mãe, depois de aproximadamente 48 mil quilômetros percorridos desde a saída de Punta Arenas, em 1998.

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