Povos
indígenas do Brasil estão tentando evitar que o novo coronavírus chegue
às aldeias. Com dificuldade de acesso e pouca oferta de hospitais em
seus territórios, eles temem um alto índice de mortalidade caso a
Covid-19 se espalhe.
Cerca de 100 índios foram contaminados pela Covid-19, e o Amazonas
concentra o maior número de casos da doença entre indígenas no país.
No norte de Mato Grosso, o território do Xingu abriga 16 etnias. No dia
20 de março, a associação que representa os povos pediu que os caciques
interrompessem o deslocamento dos índios para as cidades, e reivindicou o
fechamento das estradas que levam para fora do parque.
“Decidimos não autorizar a entrada de visitantes e também a nossa saída
para a cidade, senão a gente vai contrair esta doença, trazer para
dentro da nossa cidade e acabar com a nossa população”, afirma Maiua Meg
Poanpo Txicão, da etnia Ikpeng e membro da Associação Indígena Moygu.
Sem poder se deslocar para a cidade, os grupos afirmam que estão
sofrendo com a falta de produtos básicos, como sabão e pasta de dente.
Magaró Yarang é líder das mulheres da etnia Ikpeng e conta que o isolamento já afeta também o trabalho e a renda delas.
As Yarang coletam sementes dentro do território indígena e vendem para
um projeto de recuperação de áreas degradadas. Sem ter para onde levar
as coletas, elas pararam com a atividade.
“Estamos sem poder trabalhar, muito tristes e preocupados. Se essa
doença sem cura chegar na aldeia, vai ser muito ruim para nós.”
Os índios do Xingu temem que a Covid-19 provoque uma catástrofe.
O médico Douglas Rodrigues, da Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp), trabalha com índios do Xingu desde a década de 1980 afirma
que o risco existe e é grande.
Índios do Xingu temem 'catástrofe' e tentam fugir da Covid-19
Cerca de 100 índios já foram contaminados pela Covid-19, e o Amazonas concentra o maior número de casos da doença entre indígenas no país
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