A Polícia Civil converteu um termo circunstanciado em inquérito policial contra a influencer e empresária de Querência (a 716 km de Cuiabá), Jéssica da Silva Santos, por supostas ameaças, injúria e desacato. Em vídeos publicados nas redes sociais, a influencer criticou a intimação e chegou a questionar se policiais civis “não tinham o que fazer”. A portaria foi assinada nesta quinta-feira (21).
No documento, ao qual o teve acesso, o delegado Dionys Zanotelli determinou a conversão do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) em inquérito policial diante da “pluralidade de condutas”, da “reiteração delitiva” e da necessidade de “aprofundamento investigativo” sobre o caso.
Segundo a portaria, o procedimento teve origem em declarações prestadas pela vítima A.G.P., além de elementos reunidos durante a investigação preliminar. A Polícia Civil afirma que, inicialmente, os fatos eram apurados como ameaça e injúria, mas novos elementos teriam ampliado a gravidade do caso.
De acordo com o documento, vídeos publicados por Jéssica nas redes sociais indicariam, “em tese”, a prática reiterada de desacato contra policiais civis da delegacia local.
O delegado cita que Jéssica teria usado “tom de deboche, escárnio e menosprezo à função pública policial”, além de expressões como: “Vocês não têm o que fazer não? Se vocês não têm, eu tenho” e “Você trabalha no sábado? Porque eu trabalho no sábado!”. A portaria ainda aponta que o uso da expressão “vossa excelência”, atribuída ao delegado, ocorreu em “inequívoco sentido sarcástico”, demonstrando, segundo a Polícia Civil, “intenção deliberada de ultrajar e desmoralizar a função pública exercida pelos policiais civis”. (Veja o vídeo mais abaixo)
O delegado também afirma que a divulgação dos vídeos nas redes sociais “amplia a lesividade da ação”, atingindo não apenas os agentes envolvidos diretamente no caso, mas “a própria credibilidade da instituição policial e, por via reflexa, do Sistema de Justiça Criminal como um todo”.
Além disso, a Polícia Civil sustenta que Jéssica também teria feito ataques contra A.G.P. nas publicações. Conforme a portaria, a influencer chamou a vítima de “rapariga” e “salafrária”, o que, segundo o documento, “reforça a ocorrência do crime de injúria, atingindo diretamente a honra subjetiva da vítima”.
O inquérito ainda aponta indícios de que a investigada estaria exercendo “pressão psicológica” sobre a vítima, com “cobranças, constrangimentos e, em tese, ameaças”, além de exposição pública em redes sociais.
Publicações nas redes
Em uma sequência de vídeos publicados em seu Instagram, Jéssica comentou o recebimento da intimação e afirmou estar “completamente indignada” com a situação. A influencer disse acreditar que a investigação teria relação com uma cliente que, segundo ela, “não pagou o procedimento” estético.
Em seguida, Jéssica afirmou que não se recusou a prestar depoimento, mas alegou incompatibilidade de agenda por causa de compromissos profissionais ligados a rodeios e eventos em Querência.
“Eu não me neguei a ir, mas eu não posso ir na data que os vossos senhores, excelentíssimo delegado, lindo, querido, pode, porque eu trabalho”, afirmou.
Nos vídeos, ela também criticou o fato de policiais terem ido até seu estúdio para entregar a intimação. “Mandou dois policiais virem aqui no meu trabalho, no meu estúdio, que se tivesse uma cliente aqui, que vergonha seria para mim, não é, senhor delegado?”, disse.
Jéssica afirmou ainda que se recusou a assinar o documento após orientação da advogada. “Não assinei, não vou assinar. Posso [prestar depoimento] no dia que eu falei. É o dia que eu posso [prestar depoimento]”, declarou.
A influencer também afirmou que os investigadores não teriam perguntado sobre disponibilidade de horários antes de marcar o depoimento. “Vocês não têm o que fazer não? Eu tenho que fazer. Se vocês não têm, eu tenho”, disse em outro trecho.
Ao comentar a origem da denúncia, Jéssica negou ter exposto a cliente nas redes sociais. “Eu mostrei a imagem dela no meu Instagram? Eu falei o nome dela no meu Instagram?”, questionou. Na sequência, porém, passou a atacar diretamente a mulher envolvida no caso. “Tome vergonha na sua cara, sua salafrária”, afirmou.
Em outro momento, ela declarou que tinha vontade de publicar a foto da vítima nas redes sociais, mas alegou ser orientada juridicamente. “Eu sei o que eu posso fazer aqui e não posso [xingar]”.
A Polícia Civil determinou a continuidade das investigações, incluindo a juntada integral dos vídeos publicados por Jéssica, oitiva formal da vítima, depoimento dos policiais envolvidos no cumprimento da intimação e o interrogatório da influencer.
Ao determinar a instauração do inquérito, o delegado destacou que “o respeito à função pública não constitui privilégio pessoal do agente estatal, mas sim garantia institucional indispensável à própria manutenção da ordem jurídica”.
Veja o video neste link abaixo;


