Quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Investigações indicam que empresária morta no Manso lutou pela vida antes de suposto afogamento

Uma unha arrancada e a falta de um dos brincos também chamou a atenção dos investigadores porque dão indícios de que a empresária tentou se defender antes de morrer

Investigações indicam que empresária morta no Manso lutou pela vida antes de suposto afogamento
Foto: Arquivo Colíder News

Investigações da Polícia Civil indicam que a empresária Elaine Stelatto lutou pela vida antes de acabar morta no lago do Manso, em Chapada dos Guimarães (65 km de Cuiabá), no dia 19 de outubro de 2023. Três meses depois, o caso continua sem solução. A Polícia Civil chegou a representar pela prisão temporária de Cléber Lagreca, com quem Elaine estava no dia de sua morte, mas o juiz Renato José de Almeida Costa Filho negou a prisão. 


Laudos periciais afastaram a hipótese de que Elaine tenha morrido afogada, como sustentou Cleber quando registrou boletim de ocorrência sobre a morte da empresária horas depois do fato. De acordo com os documentos oficiais, Elaine sofreu “múltiplos traumas contusos” antes de morrer. 

Uma unha arrancada e a falta de um dos brincos também chamou a atenção dos investigadores porque dão indícios de que a empresária tentou se defender antes de morrer, o que também é incompatível com a versão de afogamento. 

Segundo a perícia, Elaine teve um osso próximo à garganta quebrado, estava com um olho roxo e tinha lesões por todo o corpo, incluindo a região lateral do crânio e a nuca, todas provocadas antes de sua morte e incomuns nas ocorrências de afogamento. Para os peritos, as constatações indicam que a empresária foi violentamente agredida antes de sua morte. 

O juiz Renato José de Almeida Costa Filho, porém, não considerou a prisão de Cléber Lagreca necessária para o deslinde do caso. Amigos e familiares de Elaine permanecem há três meses inconformados com a falta de celeridade e de justiça no caso. 

“Em que pese haver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado no crime de feminicídio (…) em consulta aos autos verifiquei que a prisão temporária não é imprescindível para a investigação criminal, e que o ora representado tem residência fixa, bem como, por ora, está colaborando com as investigações”, escreveu o juiz.

TRÊS MESES SEM RESPOSTAS

Inicialmente, a ocorrência da morte de Elaine foi tratada como um afogamento. Segundo Lagreca, que registrou a ocorrência, Elaine decidiu pular de uma lancha que precisou ser rebocada no lago do Manso. Os dois passavam o dia na embarcação que, em tese, apresentou problemas mecânicos e precisou de socorro. Enquanto a lancha era guinchada, a empresária teria pulado com uma corda na cintura para 'se refrescar' e acabou se afogando. 

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Depois, Lagreca disse que ao invés de ter pulado por conta própria, Elaine se desequilibrou e que ele chegou a tentar socorrê-la, mas não conseguiu. 

Os laudos, contudo, levam à conclusão de que a empresária tenha sido morta por asfixia. 

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