Terça-feira, 1 de setembro de 2026

Irmão de empresária fez 9 voos clandestinos com pó e fuzis, diz PF

Thati Rabelo foi solta 48 horas após ser presa

Irmão de empresária fez 9 voos clandestinos com pó e fuzis, diz PF

Márcio Rabello Mesquita Theodoro, vulgo “Pollo”, irmão da advogada e empresária Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, dona do bar Tatu Bola, em Cuiabá, é apontado nas investigações da Operação Bóreas, da Polícia Federal, como piloto responsável por ao menos nove voos clandestinos para transportar cocaína da Bolívia e do Peru para o Brasil. Enquanto Pollo atuava como piloto, Thatiana foi apontada pelos investigadores como “braço financeiro” do grupo criminoso, com atuação na ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.

De acordo com decisão judicial que embasa as investigações, os nove voos ocorreram entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025. As operações teriam seguido um padrão semelhante, com planejamento prévio, definição de rotas, compartilhamento de coordenadas de pistas clandestinas, monitoramento meteorológico, utilização de códigos e frequências de rádio e movimentações financeiras para custear a logística.

As cargas transportadas pelas aeronaves variavam entre aproximadamente 450 e 500 quilos de cocaína por voo, ou seja, 4,5 toneladas. Em um dos episódios, também há referência ao transporte de cinco fuzis.

A logística operacional, segundo as investigações, ficava a cargo de Matheus Matias de Oliveira, o “Teteu”, e Hebert Alves Chapin, conhecido como “Ayrton Senna” ou “Toddynho”.  Os dois seriam responsáveis por providenciar coordenadas de pistas clandestinas, frequências de rádio, senhas de comunicação, informações meteorológicas e articulação com as equipes terrestres. Ayrton Senna aparece nas conversas com Pollo sobre a possibilidade de transportar armas. Em um dos diálogos interceptados, há referência a cinco fuzis.

Ayrton: “Em os meninos pedi-o para você leva 5 fura?”

Pollo: “Não trouxe irmão. Falaram q tem 85. Promova eu relato de pouco a pouco. Não dá muito.”

Ayrton: “Pai pedi-o se amanhã dá para leva 5 só.”

Pollo: “Blz eu levo. Sem bala!”

Segundo a decisão, os indícios considerados mais contundentes surgiram a partir da análise do celular de Márcio Rabello, apreendido após sua prisão. Pollo acabou preso em flagrante em 23 de fevereiro de 2025, quando transportava aproximadamente 475 quilos de cocaína em uma aeronave apreendida em uma área rural entre os municípios de Marianópolis e Caseara, no Tocantins.

Durante a audiência de custódia, a Justiça autorizou a análise do conteúdo extraído do aparelho celular apreendido com o piloto. A partir desse material, os investigadores identificaram, segundo a decisão, indícios da existência de uma organização criminosa estruturada para o transporte internacional de cocaína proveniente da Bolívia e do Peru, utilizando aeronaves, pistas clandestinas e uma logística considerada sofisticada.

A análise das mensagens, segundo a investigação, permitiu identificar nove operações distintas de tráfico internacional, além de informações sobre rotas, cargas, pistas de pouso, condições climáticas, comunicação por rádio e pagamentos relacionados à estrutura utilizada pelo grupo.

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