O juiz da 2ª Vara de Peixoto de Azevedo afastou o comandante do 22º Batalhão da Polícia Militar do município, major Wilson Pereira Padilha Neto, por envolvimento no sequestro, tortura, desaparecimento e possível homicídio do adolescente Pedro Henrique Ribeiro, de 17 anos, que foi levado por homens da PM, em outubro de 2023, e foi visto, pela última vez, na sede da unidade policial da cidade.
Em maio do ano passado, o major também foi acusado de agredir uma defensora pública durante uma ação policial contra grilagens e invasões de terra – um tipo de atividade policial à qual costuma coordenar na região chamada de “Patrulha Rural”.
O menor é considerado presumidamente morto pelo delegado de Polícia Civil da cidade, Geraldo Gezoni Filho, que representou por medidas cautelares contra o comandante e um segundo suspeito que são investigados pelos crimes.
Em sua decisão, o juiz João Zibordi Lara ainda determinou que o major seja realocado em uma cidade que tenha, no mínimo, 500 quilômetros de distância de Peixoto de Azevedo.
Um segundo envolvido nos crimes contra o adolescente, Wilkes Silva Souza, foi proibido de frequentar as dependências do Batalhão.
Segundo as investigações, ele agia como uma espécie de falso policial e atuaria ilegalmente no Batalhão da cidade, sob a proteção do major.
Segundo a investigação, a mãe do adolescente relatou que em 6 de outubro de 2023 foi informada por uma vizinha que o menor havia sido preso por policiais militares, na presença do comandante-geral, e levado em um veículo descaracterizado.
Testemunha relatou tortura e extorsão a mando de facção criminosa
No Batalhão de Peixoto de Azevedo, uma prima que era dona de uma moto que teria sido apreendida junto com o menor relatou ter visto Pedro ser torturado a mando do comandante dentro do Batalhão. A Polícia, ela relatou que o major chegou a agredi-la e que ele organizava drogas e dinheiro em uma mesa.
“Enquanto aguardava, presenciou o Major Neto organizando drogas e dinheiro sobre uma mesa e relatando que Pedro teria que pagar R$ 7 mil à facção criminosa devido ao entorpecente apreeendido“, diz trecho da decisão judicial ao qual o Isso É Notícia teve acesso.
À época, o major teria informado à família que o adolescente seria encaminhado à Delegacia da cidade, o que não ocorreu.
A mãe da vítima, então, procurou hospitais da região, mas em nenhum o adolescente foi encontrado.
A decisão judicial ainda destaca que outros envolvidos nos crimes contra o menor também foram asssassinados no decorrer das investigações em 2023 “por agentes do Estado comandados pelo Major Neto”.
O Ministério Público Estadual (MPE) emitiu parecer favorável às medidas cautelares pelo afastamento do militar.
“A manutenção de Wilson Pereira no batalhão em que Pedro Henrique Ribeiro foi visto pela última vez configura risco de intimidação dos subordinados e influência na condução da investigação, dado o poder hierárquico exercido pelo comandante na Polícia Militar. Conforme previsto no Código de Ética e Disciplina da corporação, a autoridade máxima do batalhão possui controle sobre as operações e ações dentro da unidade, o que pode afetar a imparcialidade e a liberdade dos subordinados para colaborar com a investigação. Há, portanto, o perigo de que informações sejam ocultados ou manipuladas”, argumentou o juiz, na decisão.
O magistrado ainda proibiu qualquer contato do militar com os familiares da vítima ou testemunhas e citou o temor da população por abordagens violentas praticadas pela PM.
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PM já afastou major do cargo
A Polícia Militar de Mato Grosso informou que já cumpriu a decisão judicial que determinou o afastamento do militar das funções de comandante regional.
“A PMMT informa ainda que permanece colaborando com as autoridades judiciais para o esclarecimento dos fatos“, informou a corporação ao portal.
No site oficial do 22º Batalhão da Polícia Militar em Peixoto de Azevedo, o nome que consta como comandante da unidade é o do tenente-coronel Efraim Augusto Gonçalves.


