Uma confusão durante uma audiência na 9ª Vara Criminal de Cuiabá terminou com o advogado Diego Osmar Pizatto detido na tarde desta quinta-feira (6). A ordem da prisão partiu da juíza Renata do Carmo Evaristo e ocorreu durante uma audiência.
De acordo com boletim de ocorrência registrado na Central de Flagrantes, a magistrada teria presenciado o advogado repassando um celular ao seu cliente, V.O.S., que participava de uma audiência. O cliente do advogado encontra-se preso. Ela acionou a assessoria militar do Fórum de Cuiabá, que conduziu o advogado à delegacia.
O advogado se dirigiu à Central de Flagrantes em seu veículo próprio. Todavia, segundo a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ele acabou liberado porque o caso foi tratado como “conduta atípica”. “A OAB-MT foi comunicada após a liberação do advogado. Ele foi liberado assim que chegou na delegacia, uma vez que não houve fato típico (qualquer conduta criminal)”, disse a assessoria da OAB.
A Ordem encaminhou o advogado Diogo Peccora, membro do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP), para acompanhar o caso na Central de Flagrantes.
FOLHAMAX conversou com Peccora, que contou a versão de Diego Pizatto. Segundo o advogado, a juíza deu início a audiência sem que o advogado estivesse presente.
Ela, porém, explicou que o cliente do advogado informou que ele não estaria mais em sua defesa e designou um defensor público para representa-lo. O advogado manifestou seu interesse em continuar no caso, o que foi consentido pelo réu.
Pizatto pediu a juíza para conversar em reservado com seu cliente, o que foi deferido. Eles ficaram numa sala anexa, que possui janela e possibilitava a juíza de ver o diálogo.
O advogado, então, sentiu que a relação com o cliente estava “abalada”. Ele, então decidiu telefonar para a esposa do cliente, que firmou ter confiança em seu trabalho. Para passar essa informação ao cliente, colocou o telefone em seu ouvido, já que ele estava algemado.
Foi quando a juíza decidiu intervir. Ela deu voz de prisão e acionou a assessoria militar do fórum.
O advogado não reagiu e se dirigiu a delegacia em veículo próprio. “Porém, estava cercado e com giroflex. Além disso, a OAB só foi acionada quando ele já se encontrava na delegacia, o que fere a prorrogativa dos advogados”, explicou Peccora.
Após o caso ser tratado como conduta atípica, o advogado foi liberado.
O membro do Tribunal da Defesa das Prerrogativas informou que aguarda notificação do advogado para decidir a atitude da Ordem em relação a juíza. “Precisamos ser provocados. Ele disse que fará o encaminhamento e aí tomaremos uma decisão”, frisou.


