Em tom de revolta e com ânimos exaltados e atribuindo culpa aos adversários políticos, o ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato às eleições suplementares ao Senado, Júlio Campos (DEM), defendeu a si e o irmão, o senador Jayme Campos, mesmo partido, contra os apontamentos feitos pelo portal de notícias, Congresso em Foco, que os mencionam como suspeitos de crimes por fraudes eleitorais, corrupção e até homicídio, à época da ditadura militar.
“Essa denúncia de 43 anos atrás, que estava arquivada, no arquivo morto em Brasília, foram agora procuradas por pessoas aqui de Cuiabá, tentando atrapalhar minha possível candidatura ao Senado, na vaga de Selma Arruda, que deve ocorrer até o final deste ano. Portanto, é politicagem barata, politicagem suja de adversários políticos da oposição que querem prejudicar o meu nome e o nome de Jayme Campos”, disse Júlio nesta segunda-feira (27).
Ao defender-se das acusações, o ex-prefeito de Várzea Grande e também ex-governador do Estado, disparou contra o extinto PMDB, ao frisar que durante sua gestão entre 1983 e 1985, o Serviço Nacional de Informações (SNI) recebeu inúmeras denúncias de opositores, mas que nada foi constatado pelo órgão. Júlio afirmou ainda, que segue com a consciência tranquila quanto as acusações.
“Desde 1977 o Serviço Nacional de Informação tem recebido denúncias dos adversários políticos de Júlio Campos e Jayme Campos. Até mesmo quando prefeito de Várzea Grande, enviaram barbaridade contra nós e, será possível que o SNI nunca quis investigar de fato ou achou que era verdade? O SNI também recebeu, durante o meu governo, relatórios permanentes dos nossos adversários do então PMDB aqui de Mato Grosso e de outros partidos que faziam oposição ao nosso governo e nada foi constatado”, defendeu.
As acusações contra ambos, constam no relatório das investigações do SNI, criado em 1964 para supervisionar e coordenar as atividades de informações e contrainformações no Brasil e também no exterior. Ocorre que, mesmo sob denúncia de terem cometido os delitos, os irmãos Campos não foram condenados, tão pouco acusados oficialmente pela Justiça.
Ainda conforme o portal de notícias, a denúncia classificada, à época, como ‘confidencial’ estava depositada no Arquivo Nacional, onde continua atualmente. A matéria cita também, que uma dessas denúncias constam em dossiê feito pelo SNI no dia 25 de maio de 1984, apontando o enriquecimento ilegal da família Campos oriundos dos cofres públicos. Em determinado trecho, o senador da República chega ser identificado como o ‘caçula do clã político’.
No documento, a informação de que os democratas participavam direta e indiretamente do quadro societário de quase dez empresas que venceram licitações no governo, além da constatação da elevação do capital social, no período em que Júlio comandava o Prefeitura de Várzea Grande e Jayme era o governador do Estado.
“Felizmente, nunca fomos chamados para prestar nenhum esclarecimento no SNI e em qualquer órgão do governo federal e muito menos da Justiça desse país. Júlio Campos e Jayme Campos têm mais de 40 anos de vida pública e vida limpa. Nos acusaram até de sermos mandantes de crime, tanto em Várzea Grande e até em São Paulo, tudo isso foi arquivado por falta de provas e por não ter fundamento. Além disso, que nós éramos sócios de empresas e que nossos bens foram adquiridos com dinheiro público", pontuou.
"Nada foi aceito pelo serviço nacional. Não é possível. O SNI sempre cassou mandato de muitos políticos, sempre bloqueou bens e tomou bens de muitas pessoas desonestas e porque nunca vieram em cima dos Campos? Será que nós somos protegidos? Negativo. É porque nunca constataram nada de sério”, argumentou o político.


