Quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Justiça determina exame de insanidade em mãe que esquartejou bebê

De acordo com a defesa da acusada, representada pela Defensoria Pública, não há nos autos do processo elementos que apontem que ela possui qualquer enfermidade mental,

Justiça determina exame de insanidade em mãe que esquartejou bebê
Foto: Arquivo Colíder News

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Paulo da Cunha, determinou a realização de exame de insanidade mental para Ramira Gomes dos Santos, de 22 anos, acusada de matar e esquartejar o filho, Bryan da Silva Otany, 4 meses.



A decisão foi assinada na última sexta-feira (18). Presa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, em Cuiabá, a mulher já havia tentado liberdade em Sorriso, onde o processo original tramita.


De acordo com a defesa da acusada, representada pela Defensoria Pública, não há nos autos do processo elementos que apontem que ela possui qualquer enfermidade mental, que lhe retira a capacidade de entender o caráter ilícito do crime.


Porém, Ramira teria passado por diversas dificuldades, como apontado nos depoimentos dela e da irmã. Ela foi adotada, presenciou o pai matando a mãe aos dois anos, casou-se aos 17 e usou drogas desde os 13 anos.


A irmã dela chegou a dizer que ela sofreu de depressão pós-parto. “’O que a senhora sabe sobre a saúde mental de sua irmã, Se teve algum trauma ou depressão?’ Testemunha: ‘Ela sofria de depressão pós-parto e também sofreu de depressão quando a minha mãe faleceu, porque ela presenciou todo o crime que aconteceu’”, disse em depoimento.


Após o nascimento do bebê, ela teria piorado. “‘O próprio pai dela assassinou a minha mãe e ela presenciou tudo quando ela era pequena, tinha 2 anos de idade e ela foi crescendo assim, sempre teve muita depressão e quando teve a filha dela também ficou muito deprimida’. ‘A senhora ficou sabendo que ela estava deprimida depois de ter o bebê?’ Testemunha: ‘Depois que ela teve o bebê, ela piorou. Ela deu uma recaída’”, afirmou a irmã.


Conforme o magistrado, mesmo que relatado por um informante, as informações colocam em dúvida a sanidade mental da acusada.


“Sabido como é que muitos doentes mentais apresentam-se como pessoas normais não deixando à primeira vista, transparecer o menor distúrbio psíquico. Havendo outros elementos que conduzam à dúvida razoável, o exame deve ser deferido, sob pena de nulidade”, citou.

 

O caso
O crime foi cometido com requintes de crueldade. Segundo a mãe, na madrugada de 14 de maio ela matou o bebê asfixiado com um travesseiro. Foram necessárias duas tentativas para conseguir matar o filho, que estava no carrinho.

Depois do homicídio, ela levou o corpo até a pia da cozinha, onde cortou as mãos e pés do filho, para facilitar esconder o cadáver. Ela colocou os membros dentro de latas de leite em pó, embalou em sacos de lixo e deixou na lixeira em frente da casa.

 

Ela ainda lavou o local e jogou as roupas que usava fora. O tronco e cabeça foram enterrados em uma cova rasa embaixo de um tanque de lavar roupa no quintal.

 

Ao amanhecer, foi até o mercado para comprar produtos de limpeza para tentar eliminar os vestígios de sangue na cozinha. Depois de ter matado o filho, ela ainda compareceu à uma consulta no dentista, como se nada tivesse acontecido.

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Os restos mortais foram encontrados por um cachorro e logo os vizinhos chamaram a polícia.

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