Quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Justiça nega soltar homem acusado de espancar esposa com "macaco" e passar com o carro por cima dela várias vezes

Defesa sustenta que morte foi acidental e que calçado do marido escorregou no pedal da embreagem; Tribunal apontou violência do caso, tentativa de fuga e condenação anterior por homicídio.

Justiça nega soltar homem acusado de espancar esposa com "macaco" e passar com o carro por cima dela várias vezes

Paulo Cesar Santos Vilela, acusado de assassinar a esposa, Simone da Silva Matiuzi, em Vila Bela da Santíssima Trindade (a 522 km de Cuiabá), teve a prisão preventiva mantida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A decisão é da Segunda Câmara Criminal e foi publicada hoje (1).

Simone foi atropelada várias vezes pelo carro conduzido por Paulo Cesar. Um macaco automotivo também foi encontrado próximo ao corpo, levantando a suspeita de que o objeto tenha sido utilizado para golpear a vítima na cabeça.

A defesa de Paulo Cesar sustenta que a morte teria ocorrido de forma acidental. A versão apresentada é de que o calçado do marido teria escorregado no pedal da embreagem.

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O caso ocorreu em 13 de março de 2026, depois que Paulo Cesar e Simone participaram de uma confraternização em um sítio. De acordo com o boletim de ocorrência, ele estava bêbado e discutiu com Simone em uma estrada rural.

Na sequência, Paulo Cesar teria usado o veículo para atropelar Simone repetidamente e, depois, deixado o local sem prestar socorro. Ele foi preso em flagrante no mesmo dia. Em 14 de março, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.

Um dos pontos considerados para manter a prisão foi o comportamento do acusado após a morte. Segundo o Tribunal, Paulo Cesar deixou o local e posteriormente foi encontrado em outra rodovia, dentro de um veículo de transporte por aplicativo, com destino a Pontes e Lacerda.

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Para os desembargadores, a circunstância indica uma tentativa de fuga e justifica a manutenção da prisão também para garantir que o acusado permaneça à disposição da Justiça.

Outro fator levado em consideração foi o histórico criminal. Conforme informações prestadas pelo juízo de primeira instância, Paulo Cesar possui condenação definitiva anterior por homicídio na comarca de Pontes e Lacerda.

O TJMT considerou que a condenação anterior, somada às circunstâncias do novo caso, demonstra risco de que ele volte a cometer crimes caso seja colocado em liberdade.

Para o relator, juiz de Direito convocado Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, os elementos reunidos até o momento justificam a manutenção da prisão. Ele destacou principalmente a forma extremamente violenta como o crime teria sido cometido, a condenação anterior por homicídio e a saída do acusado do local após a morte.

Na avaliação do magistrado, medidas mais brandas não seriam suficientes diante desses fatores. A Procuradoria-Geral de Justiça de Mato Grosso também havia se manifestado contra a soltura.

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Denuncie

A violência contra a mulher não pode ser ignorada e nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

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