Domingo, 4 de outubro de 2026

Justiça suspeita de golpe de 'banco fechado pela PF' em aposentados de MT

Idoso tem empréstimo descontado que alega não ter feito

Justiça suspeita de golpe de 'banco fechado pela PF' em aposentados de MT
Foto: Arquivo Colíder News
A juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 4ª Vara Cível de Cuiabá, obrigou o Banco Master S/A a apresentar, em até 15 dias, todos documentos relacionados a um contrato que vem gerando descontos mensais no benefício previdenciário de um idoso que afirma desconhecer a contratação. A decisão é do dia 1º de dezembro.

O consumidor A.C. de S., acionou o Judiciário após identificar débitos em seu extrato do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) que não reconhece e não ter conseguido, administrativamente, acesso às informações sobre a suposta operação financeira. Beneficiário do BPC (Benefício de Prestação Continuada), ele já havia notificado o banco extrajudicialmente, mas não obteve resposta satisfatória.

Na sentença, a magistrada rejeitou as alegações preliminares da instituição financeira, que contestou a concessão de justiça gratuita ao autor e a existência de interesse processual. A juíza destacou que o consumidor comprovou sua hipossuficiência e que a resistência do banco em fornecer documentos demonstrou necessidade de intervenção judicial.

Durante o processo, o Banco Master apresentou parcialmente os papéis do contrato, alegando que a contratação teria ocorrido de forma digital, com selfie e assinatura eletrônica. No entanto, a Justiça entendeu que ainda há documentos pendentes, como extratos completos de pagamentos, evolução do débito, ficha de compensação e comprovante de entrega do cartão consignado.

“A instituição financeira apenas apresentou os documentos de forma parcial após determinação judicial”, ressaltou a juíza, ao determinar a exibição integral dos documentos faltantes, sob pena de multa diária de R$ 200, limitada a R$ 5 mil. Além disso, o banco foi condenado ao pagamento das custas do processo e honorários advocatícios fixados em R$ 1 mil, considerando a baixa complexidade da causa.

O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro deste ano após ser alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, devido a graves problemas financeiros e suspeitas de fraude. As investigações apontam a suspeita de "fabricação" de carteiras de crédito falsas e venda de ativos inexistentes para atrair investidores. 

O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso no âmbito dessas investigações, mas foi solto no último sábado (29), com tornozeleira eletrônica. O banco atuava em diversos segmentos, incluindo o varejo digital, após a aquisição do Will Bank em 2024, e o mercado de investimentos (Banco Master de Investimento). No entanto, a instituição enfrentou uma crise de liquidez após oferecer produtos de renda fixa, como CDBs, com rendimentos muito acima da média do mercado, o que levantou suspeitas de insustentabilidade financeira. 
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