A Leapmotor prepara a estreia de sua tecnologia híbrida flex no Brasil para o final de 2027, em uma estratégia ligada à produção nacional dos SUVs B10 e C10. A nova motorização será desenvolvida para o mercado brasileiro e deve chegar justamente quando a Stellantis iniciar a fabricação dos modelos na fábrica de Goiana, em Pernambuco.
Segundo João Irineu Medeiros, vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis, a estreia do conjunto está prevista para o fim de 2027. A informação foi divulgada pela Autoesporte.
Além disso, a produção nacional dos SUVs faz parte do plano de investimentos de R$ 13 bilhões destinado ao complexo pernambucano até 2030. Atualmente, a fábrica produz modelos das marcas Jeep, Fiat e Ram.
A tecnologia também pode chegar a outros veículos produzidos pela Stellantis no Brasil. Nesse sentido, a nova geração do Jeep Compass aparece entre os modelos que podem receber o sistema híbrido com extensor de alcance.
O conjunto utiliza a arquitetura REEV, sigla em inglês para veículo elétrico de alcance estendido. Nesse sistema, as rodas recebem força exclusivamente de um motor elétrico, enquanto o propulsor a combustão atua como gerador.
No caso do Leapmotor C10, a configuração utiliza um motor 1.5 de quatro cilindros e 16 válvulas. Entretanto, esse propulsor não movimenta diretamente as rodas, pois sua função consiste em produzir energia para abastecer a bateria.
Assim, o sistema funciona de maneira diferente dos conjuntos híbridos convencionais e dos modelos híbridos plug-in. Nos sistemas HEV e PHEV, o motor a combustão pode transmitir força diretamente para as rodas.
Já no REEV, o motor elétrico permanece responsável pela movimentação do veículo. Quando a carga da bateria diminui, o motor a combustão entra em funcionamento para gerar eletricidade e ampliar a autonomia.
Por isso, a tecnologia pode reduzir a preocupação com a autonomia em viagens longas ou em regiões com pouca infraestrutura de recarga. O motorista mantém a possibilidade de utilizar combustível para continuar a viagem.
Além disso, o funcionamento do motor a combustão busca priorizar uma faixa de operação mais eficiente. Como ele trabalha principalmente como gerador, não precisa acompanhar diretamente as variações de aceleração e velocidade do veículo.
A tecnologia híbrida flex também amplia as possibilidades de uso do sistema no Brasil. Afinal, o motor gerador poderá utilizar combustível flex, característica que atende à oferta de etanol e gasolina disponível no mercado nacional.
Dessa forma, a Leapmotor prepara uma configuração específica para o mercado brasileiro, enquanto a Stellantis avalia a aplicação da tecnologia em outros modelos produzidos no país.


