A lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 1,868 milhão em uma viagem à Europa com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e familiares dos dois.
O grupo passou pela Suécia, Finlândia e Suíça em janeiro de 2025. O roteiro foi organizado para acompanhar a aurora boreal e teve custo estimado de R$ 266,8 mil por pessoa.
As informações foram reveladas pela coluna de Malu Gaspar, de O Globo, com base em um orçamento encontrado pela Polícia Federal no celular de Roberta. O documento detalha gastos com hospedagens, passeios e serviços de luxo.
O material integra um inquérito sigiloso que apura a atuação de Lulinha e Roberta e está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo os dois.
Esqui, chef, mordomo e jatinho
A viagem já havia sido revelada em março, quando vieram a público informações de que Roberta teria bancado despesas de Lulinha e de sua família na Escandinávia. Na época, os custos totais do roteiro ainda não eram conhecidos.
O novo material obtido pela PF mostra que o pacote incluía hospedagem no hotel HUUS Gstaad, nos Alpes Suíços, seis dias consecutivos de esqui e serviços de chef e mordomo.
Os preparativos foram feitos por Roberta com auxílio de Marina Mantega, filha do ex-ministro Guido Mantega. Marina trabalha na agência TTW, especializada em viagens de luxo.
Mensagens analisadas pela PF mostram ainda que Roberta pagou um sinal de R$ 339 mil à agência em outubro de 2024.
Em 8 de janeiro de 2025, a lobista também teria fretado um jatinho para transportar o grupo da Suíça a Estocolmo, na Suécia, ao custo de R$ 220,8 mil.
Com o gasto adicional do fretamento, os custos associados à viagem ultrapassam R$ 2 milhões, segundo O Globo.
Mensagens já divulgadas mostram Roberta citando um pagamento de R$ 26,8 mil “pro Fábio na TTW”, a mesma agência responsável pela organização de viagens dela e de Lulinha. A defesa do filho do presidente afirmou, na ocasião, que não reconhecia a autenticidade das conversas e negou que ele tivesse recebido dinheiro da lobista.
Relação investigada
A Polícia Federal apura se Lulinha e Roberta atuaram para favorecer interesses privados junto ao governo federal.
Uma das frentes envolve a Unigel. Mensagens analisadas pela PF indicam atuação de Roberta, Lulinha e do então chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, em tratativas de interesse da empresa junto à Petrobras.
Outra linha de investigação envolve negócios ligados a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A PF apura se Roberta tentou envolver Lulinha em tratativas para viabilizar produtos derivados de canabidiol e kits para testes de dengue junto ao Ministério da Saúde. Os contratos não foram fechados.
A relação de Roberta com integrantes do governo também aparece em outras mensagens analisadas pela PF, inclusive em contatos com Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, e com Marcola.
O que diz a defesa
A defesa de Lulinha afirmou que ele “não cometeu nenhum crime” e que prestará esclarecimentos às autoridades competentes.


