Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Lulinha foi com sócio da Fictor alvo da PF em viagem de Lula à China

Lula fez viagem de Estado à China em abril de 2023 acompanhado de comitiva de empresários. Lulinha foi visto com Luiz Rubini, alvo da PF

Lulinha foi com sócio da Fictor alvo da PF em viagem de Lula à China
Foto: Arquivo Colíder News
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi com o ex-sócio da Fictor Luiz Phillippe Gomes Rubini à China, durante uma visita de Estado de seu pai, o presidente Lula (PT), ao país asiático, em abril de 2024. Na manhã desta quarta-feira (25/3), Rubini foi alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Fallax, deflagrada pela PF para combater fraudes bancárias.

Como mostrou a coluna, o CEO da Fictor, Rafael Góis, tinha Lulinha entre seus amigos. Góis também foi alvo de busca e apreensão na Fallax. A aproximação entre Lulinha e a empresa de investimentos resultou no convite para que Rubini integrasse o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o “Conselhão”.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Lulinha trabalhou como consultor da Fictor — ele nega. Ao jornal, a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pelo Conselhão, também negou que Lulinha tenha indicado Rubini para o órgão consultivo.

Além de uma numerosa comitiva de políticos e servidores públicos, a viagem de Lula à China em abril de 2023 foi acompanhada por dezenas de empresários de vários setores. Segundo um participante, o grupo era tão grande que os brasileiros se dividiram em dois hotéis na capital chinesa, Pequim.

De acordo com as investigações da Fallax, o grupo integrado pelos executivos da Fictor usava empresas de fachada e estruturas empresariais para esconder a origem de dinheiro ilícito — inclusive da facção criminosa Comando Vermelho (CV).

Nos documentos que embasaram a operação, a Fictor identificou contatos entre os dirigentes da empresa e Thiago Branco de Azevedo, vulgo “Ralado”. Para a PF, Ralado era o responsável pela lavagem de dinheiro do grupo conhecido como “Bonde do Magrelo”, um braço do CV no interior de São Paulo.

Funcionários de instituições financeiras, como a Caixa Econômica, inseriam informações falsas nos sistemas bancários para permitir saques e transferências indevidas. Depois, os valores eram convertidos em bens de luxo e criptomoedas para dificultar o rastreamento.

Lulinha diz que nunca teve relação comercial com Rubini
Em nota enviada à coluna por sua defesa, Lulinha disse que “nunca teve relação comercial” com Rubini. “Estamos diante de nova tentativa de associar Fábio Luís a um escândalo com o qual ele não tem envolvimento, tendo por base unicamente o fato de ele conhecer pessoas”, diz o texto.

Leia abaixo a íntegra da nota.

“Fábio Luís nunca teve relação comercial com Luiz Phillippe Rubini, não fez nenhuma apresentação nem teve ingerência ou participação em sua indicação para cargos e funções de qualquer natureza. À época mencionada na matéria, muito anterior à operação deflagrada hoje, não existia notícia ou fato que justificassem desconfiança ou que exigissem que Fábio Luís evitasse contato com aquele indivíduo. Comprovada a inexistência de ligação com o INSS, estamos diante de nova tentativa de associar Fábio Luís a um escândalo com o qual ele não tem envolvimento, tendo por base unicamente o fato de ele conhecer pessoas, sem demonstração de atos ilegais ou ligados a crimes cometidos por terceiros.”
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