Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Madrinha: 'Condenação dá alento, mas não vai trazê-la de volta'

Família ficou satisfeita com a pena de 41 anos; eles agora querem tirar o registro médico do assassino

Madrinha: 'Condenação dá alento, mas não vai trazê-la de volta'
Foto: Arquivo Colíder News

A família da médica veterinária Beatriz Nuala Soares Milano se mostrou satisfeita com a sentença que condenou o médico Fernando Veríssimo Carvalho a 41 anos e 8 meses de prisão pelo feminicídio cometido contra a vítima gestante de 4 meses.

 


A madrinha de Bia, como era carinhosamente chamada, Cilene Marcondes, e a irmã da veterinária, Barbara Milano, afirmaram que desde o começo esperavam que Fernando recebesse a pena máxima pelo assassinato e todos seus agravantes.

 

O julgamento ocorreu na última quarta-feira (10) no Tribunal do Júri de Rondonópolis e marcou o desfecho de um dos momentos mais dolorosos vividos pela família da jovem, que veio para Rondonópolis sonhando em ter um recomeço com a filha Helena, ainda na barriga.

 

“Queríamos que ele não manipulasse a morte dela e pagasse pelo que fez. Isso traz um alento, mas a Justiça não vai trazê-la de volta”, afirma Cilene em entrevista ao MidiaNews.


O crime contra Bia ocorreu na noite do dia 23 de novembro de 2018. Naquela noite Fernando pediu a médica veterinária em casamento, porém, ao chegarem em casa, assassinou brutalmente a namorada, matando-a junto com a filha do casal.

 

Desde a notícia morte da caçula da família, Barbara conta que se iniciou uma batalha, primeiro silenciosa, para que a justiça fosse cumprida. A irmã lembra que soube da morte de Beatriz por um telefonema feito pelo próprio Fernando alegando que “a namorada havia passado mal e partido”.

 

Naquele momento, por viver em São Paulo, a artista plástica não entendia a magnitude do que havia ocorrido com sua irmã. No entanto, ela afirma que sua intuição mostrava que algo estava errado.

 

“Eu falei que ela estava feliz, que ele havia pedido ela em casamento naquela noite [...]. Você não quer acreditar em uma coisa dessas, apesar da sua intuição dizer ao contrário. É tão duro pensar nisso”, relembra.

 

Fernando chegou a comparecer no velório de Beatriz junto com sua família. Naquele momento Cilene, que é jornalista, conta que já havia uma tomada de consciência de que algo maior poderia ter acontecido com sua afilhada. No entanto, até aquele momento a perícia não havia concluído a causa da morte.

 

As familiares descrevem que houve uma força tarefa com amigos de Bia para reunir os áudios e mensagens que comprovassem que Bia vivia um relacionamento abusivo com violência psicológica e física.

 

Violência silenciosa

 

Barbara conta que Fernando sempre construiu uma imagem muito polida na frente de sua família, principalmente perto de sua mãe. A máscara cuidadosamente projetada não deixava transparecer que ele podia estar fazendo mal a Bia.

 

Arquivo Pessoal

Beatriz Nuala Soares Milano

Bia era formada em medicina veterinária e tinha uma vida independente e feliz

Apenas em alguns momentos, quando bebia, que ele mostrava que a imagem de médico responsável não fosse tão real. Em um dos casos, Barbara lembra que Fernando se vangloriou em uma roda de conversa, afirmando que nunca seria preso por ser “médico, branco e homem”.

 

“Foram situações como essas que me levaram a falar para minha irmã: ‘Esse cara não é legal’”, conta.

 

Assim como muitas vítimas de violência doméstica, Beatriz não chegava a se abrir com a família por medo das pressões psicológicas que sofria. Muitas das violências sofridas pela vítima foram descobertas somente durante o processo.

 

No mês de sua morte, Cilene relata que a afilhada chegou a mandar uma mensagem dizendo “ele é louco, ele me trata super bem e depois me agride, me xinga”.

 

No entanto, grávida e vulnerável em uma cidade que não conhecia ninguém, a médica se agarrava a esperança de que Fernando poderia mudar e acreditava que ainda poderia realizar seu sonho de construir uma família.

 

A família agora prentende acionar o Conselho Regional de Medicina (CRM) para cancelar o registro médico de Fernando, que usou dos conhecimentos técnicos para assassinar Beatriz.

 

“Por todas as Bias”

 

No doloroso processo de busca por Justiça. A família decidiu criar um movimento em homenagem à Beatriz. A ideia, segundo Cilene, surgiu quando ela, Barbara e a mãe tiveram que ir até Rondonópolis para buscar os pertences da veterinária.

 

Atuando na área de direitos humanos, a jornalista afirma que não podia acreditar que a afilhada havia sido vítima de feminicídio e, pela primeira vez, ela se viu do lado oposto da balança, o lado da dor.


Elas, então, criaram uma página no Facebook e no Instagram para informar sobre o processo de julgamento do caso. A família não queria que a morte da veterinária se tornasse mais uma estatística de feminicídio não controlado.

 

No movimento elas contaram a história de Bia e relataram os fatos para que a população de Rondonópolis pudesse conhecê-la e entender a gravidade do caso. Além disso, durante dos anos que aguardaram, o portal também se transformou em um local para acolher outros parentes de vítimas de feminicído.

 

Apesar da conclusão do caso, Cilene garante que o movimento “Por todas as Bias” vai continuar, almejando amparar e conscientizar para que a violência contra a mulher deixe de ser normalizada no Brasil.

Acompanhe o nosso trabalho também nas redes sociais;

Siga a nossa página do Colidernews no Facebook.

Acompanhe nossas matérias no Grupo de WhatsApp.

Saiba tudo do nosso site na pagina oficial do Twitter.

Siga o Colidernews também no Instagram.

Faça parte do nosso grupo de notícias no Telegram.

Junte-se a nós também no Grupo do Colidernews no Signal.

 

Muito ligada ao espiritismo, Barbara afirma que hoje o que lhe traz alegria é receber os sinais da irmã caçula demonstrando sua pacificação no plano póstumo.

 

“A Bia era minha única irmã, o meu amorzinho. Como irmã mais velha continuo com essa luta para que isso não tenha sido em vão”, finaliza.

Esta informação foi útil?Compartilhe com seus contatos.
22ª Festa do Carneiro
Publicidade 22ª Festa do Carneiro Conhecer parceiro