Diferente da imagem clássica de uma bacia, a cratera de Araguainha não é uma depressão óbvia no terreno. O tempo e a erosão transformaram sua aparência ao longo de milhões de anos. Hoje, o que se observa do espaço é uma estrutura circular complexa, com um anel de serras e um núcleo soerguido, o que justifica o nome "domo".
Um evento de extinção em massa
A formação do domo foi resultado da colisão de um asteroide com aproximadamente quatro quilômetros de diâmetro em uma área que, na época, era um mar raso. O impacto liberou uma energia milhares de vezes superior à das maiores bombas nucleares, vaporizando rochas e alterando drasticamente a paisagem local. A datação do evento coloca o impacto de Araguainha em um período crítico da história do planeta: o final do período Permiano.
Essa época coincide com a maior extinção em massa já registrada, conhecida como a extinção do Permiano-Triássico, que eliminou cerca de 95% da vida marinha e 70% dos vertebrados terrestres. Estudos científicos ainda investigam se o impacto do meteoro em Araguainha pode ter contribuído para essa catástrofe global, liberando gases tóxicos e alterando o clima.
Turismo científico e geológico
Apesar de sua aparência desgastada, o Domo de Araguainha se tornou um destino valioso para o turismo científico. Reconhecido pela União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS) como um dos 100 principais sítios geológicos do mundo, é um verdadeiro laboratório a céu aberto. Geólogos, pesquisadores e estudantes de todo o mundo visitam a região para estudar as rochas e formações únicas que só um evento de impacto dessa magnitude poderia criar.
Para os viajantes, a cratera oferece uma paisagem peculiar, cortada pelo rio Araguaia, que serpenteia pelo seu interior. As cidades de Araguainha e Ponte Branca, em Mato Grosso, além de Doverlândia, Mineiros e Santa Rita do Araguaia, em Goiás, são os principais pontos de acesso à estrutura. Explorar a região é uma oportunidade de visualizar, na prática, as forças monumentais que moldaram o nosso planeta.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.


