Terça-feira, 13 de outubro de 2026

'Mataram meu filho novamente', lamenta mãe de Rodrigo Claro

Resultado do julgamento de tenente, na quinta-feira, causou revolta na família do aluno

'Mataram meu filho novamente', lamenta mãe de Rodrigo Claro
Foto: Arquivo Colíder News

A dona de casa Jane Claro não consegue aceitar o resultado do julgamento da tenente Izadora Ledur, que foi condenada a um ano de prisão por maus-tratos contra seu filho, Rodrigo Claro, que morreu em novembro de 2016, após um treinamento do Corpo de Bombeiros. 

 

Rodrigo faleceu cinco dias depois do treinamento, no qual sofreu maus-tratos e foi submetido a afogamentos. O caso foi a julgamento na quinta-feira (23) em Cuiabá.

 

"No dia 15 de novembro de 2016, recebi o telefonema avisando que meu filho tinha morrido. Na quinta ouvi a sentença do juiz e tive a mesma sensação que tive naquele dia: mataram meu filho novamente". 

  

O Ministério Público Estadual havia pedido a condenação da tenente pelo crime de tortura, com pena de oito a 16 meses de prisão, além da perda da patente. 

No entanto, o juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Cuiabá, afirmou que não havia provas no processo que mostrem que Ledur praticou tortura contra Rodrigo. O voto de Faleiros, classificando o caso como maus-tratos, foi acompanhado por mais dois integrantes do Conselho Especial de Justiça, formado por cinco pessoas.

 

Ao MidiaNews, Jane afirma que está sendo difícil "digerir" o resultado do julgamento.

 

"Lutamos, esperamos e sonhamos com a Justiça, não com uma palhaçada que apresentaram. Foi um verdadeiro teatro mal ensaiado o que fizeram. Estamos chateados e decepcionados com essa sentença". 

 

Ela diz que a luta por Justiça que liderou desde a morte do filho também serve para proteger que outros jovens sejam vítimas da tenente. 


"Infelizmente na noite de ontem vi que a Justiça deu carta branca para que ela continue fazendo o que fez ao longo dos anos e batendo no peito que não existe Justiça para ela. E o juiz Marcos Faleiros mostrou que, realmente, não tem". 

 

Jane afirma que, com o coração apertado, assistiu do começo ao fim o julgamento virtual. Desde que o crime aconteceu, ela e a família esperavam e lutavam para que a Justiça fosse feita, mas mesmo com as provas, a mãe lamenta que o desfecho não tenha sido o esperado. 

 

"Depois de tudo que foi provado na Justiça, de todas as provas apresentadas, todas as testemunhas ouvidas, tinham provas suficientes e ele [juiz Marcos Faleiros] disse que não havia provas suficientes para que ela fosse condenada por um crime que aconteceu". 

 

Novas vítimas 

 

O receio de Jane é que Ledur volte a ser instrutora dos treinamentos e que novos jovens sejam vítimas durante o curso do Corpo de Bombeiros. 

 

"Alguma coisa tenho que fazer para não ver outros jovens perderem a vida. Por que esperar a próxima vítima? Quem será a próxima vítima na mão da Ledur?". 

 

A mãe de Rodrigo desabafa que o único sentimento que tem pela tenente é desprezo. 

 

Desde que o filho morreu, Ledur não teria procurado Jane ou demonstrado arrependimento. 

 

"Desprezo, só isso que sinto por ela. Tenho pena de uma pessoa como ela. Pessoa infeliz que não tem amor ao próximo e no coração. Porque a pessoa que tem um pouco de amor no coração não pratica mal contra ninguém, nem um animal". 

 

Relembre o caso 

 

Rodrigo morreu no dia 15 de novembro de 2016, cinco dias após passar mal em uma aula prática na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, na qual a tenente Izadora Ledur atuava como instrutora.

MidiaNews

Izadora Ledur

A tenente Izadora Ledur, que foi condenada a um ano de prisão

 

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre e outros exercícios.

 

Ainda segundo o órgão, depoimentos durante a investigação apontam que ele foi submetido a intenso sofrimento físico e mental com uso de violência. A atitude, segundo o MPE, teria sido a forma utilizada pela tenente para punir o aluno pelo mal desempenho.

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Durante a realização das aulas, Rodrigo queixou-se de dor de cabeça. Após a travessia a nado na lagoa, ele informou ao instrutor que não conseguiria terminar a aula.

 

Em seguida, segundo os bombeiros, ele foi liberado, retornou ao batalhão e se apresentou à coordenação do curso para relatar o problema de saúde. O jovem foi encaminhado a uma unidade de saúde e sofreu convulsões, vindo a morrer alguns dias depois.

 

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