O filho de apenas 7 anos de Eliene Luzanira da Silva, de 38 anos, presenciou a mãe ser morta a facadas pelo padrasto e marido da vítima, Elessandro Riguer Bispo, de 35 anos, na manhã de sábado (22) em Nova Bandeirantes (a 997 km de Cuiabá), em Mato Grosso. À polícia, o pai de Eliene e avô da criança disse que o menino implorou para que Elessandro não matasse a mãe: “Para, pai, não faz isso”.
Conforme o relato do idoso, o crime ocorreu na residência dele. O casal e a criança estariam passando uma temporada no local para cuidar do avô, que estava em estado delicado de saúde.
Ainda segundo o relato, o idoso estava sentado na cama, dentro do quarto, quando ouviu o neto gritar: “Para, pai, não faz isso”. Inicialmente, ele pensou que Elessandro estivesse agredindo a criança. Porém, como o menino começou a gritar com mais desespero, o homem saiu do quarto para ver o que estava acontecendo.
Ao chegar à cozinha, o idoso encontrou a filha caída no chão, ensanguentada, e o genro em pé, diante do corpo dela, com uma faca na mão. Na sequência, o pai da vítima empurrou Elessandro, na tentativa de verificar se a filha ainda estava viva. Após o empurrão, o homem ainda apontou a faca para o sogro, mas não o atingiu.
Logo depois, Elessandro saiu correndo da residência, pegou uma Biz preta e fugiu. A criança, por sua vez, pegou uma bicicleta e saiu pela rua gritando por socorro.
Ainda de acordo com o relato do pai da vítima, o relacionamento do casal era considerado tranquilo. Ele afirmou que nunca havia presenciado nem tomado conhecimento de agressões cometidas por Elessandro contra Eliene. Somente após o crime soube, por terceiros, que a filha já havia relatado que o marido teria ameaçado cortar seu pescoço por ciúmes, por suspeitar que ela o estivesse traindo.
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Crime
O feminicídio aconteceu na manhã de sábado (22), por volta das 6h, quando a Polícia Militar foi acionada por meio de uma denúncia anônima de que um homem teria matado a esposa na frente do filho do casal. Diante do relato, os policiais foram até o endereço indicado e constataram o crime.
Eliene Luzanira da Silva, de 38 anos, foi encontrada morta no chão da cozinha da residência. Ela estava coberta de sangue e apresentava diversas perfurações provocadas por golpes de faca. A arma utilizada no crime foi encontrada próxima ao corpo.
Nesta segunda-feira (24), a Polícia Civil prendeu Elessandro Riguer Bispo, de 35 anos, na zona rural de Nova Bandeirantes. Ele estava foragido desde o dia do crime.
Conforme informações repassadas pela polícia, Elessandro estava no sítio do pai quando percebeu a aproximação dos policiais civis. Diante disso, entrou em contato com um amigo, que o levou até a delegacia.
Aos policiais, Elessandro confessou o crime e alegou ter matado a esposa durante uma discussão motivada por uma suposta traição. Como o delegado responsável pelo caso já havia representado pela prisão preventiva, que foi deferida pela juíza Milena Ramos de Lima e Souza Paro, de Nova Monte Verde, no domingo (23), o homem foi colocado à disposição da Justiça.
Eliene Luzanira da Silva é a 32ª vítima de feminicídio em Mato Grosso, a segunda em Nova Bandeirantes e a quinta mulher assassinada somente neste mês de agosto, de acordo com dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.


