Terça-feira, 18 de agosto de 2026

Mergulhador encontra garrafa da Guinness lacrada há 162 anos em naufrágio, e pesquisadores querem provar cerveja antiga que pode valer milhares de euros

Garrafa permaneceu lacrada no Canal da Mancha desde 1864, quando o navio Mindoro afundou após uma colisão

Mergulhador encontra garrafa da Guinness lacrada há 162 anos em naufrágio, e pesquisadores querem provar cerveja antiga que pode valer milhares de euros
Durante um mergulho no naufrágio do Mindoro, no Canal da Mancha, Stefan Panis encontrou uma garrafa entre a areia e os destroços. O vidro havia passado mais de um século no fundo do mar. Quando o mergulhador voltou à superfície e enxaguou a peça, uma inscrição apareceu na vedação.As palavras “Guinness Extra Stout, London” mudaram o peso da descoberta. O navio afundou em 27 de novembro de 1864, durante o reinado da rainha Vitória. Se a garrafa pertencia à carga daquela viagem, a cerveja permaneceu fechada por aproximadamente 162 anos.
Garrafa de Guinness encontrada no naufrágio do Mindoro pode ter permanecido fechada por cerca de 162 anos no fundo do Canal da Mancha
Garrafa de Guinness encontrada no naufrágio do Mindoro pode ter permanecido fechada por cerca de 162 anos no fundo do Canal da Mancha Crédito: Foto: Stefan Panis

Agora, Panis e o mergulhador e pesquisador Pawel Truszynski querem descobrir o que sobreviveu dentro dela. A análise poderá indicar se a bebida ainda oferece condições para uma pequena degustação. Mesmo que o conteúdo não possa ser provado, a levedura talvez permita reconstruir o sabor da Guinness produzida no século 19.

Outras garrafas continuam lá

Panis não encontrou apenas uma peça solta. Perto do local havia outras garrafas guardadas em caixas de madeira, ainda presas ao naufrágio, a cerca de cinco quilômetros da costa de Dover, na Inglaterra.

As correntes alteram constantemente a paisagem ao redor do Mindoro. Em alguns períodos, a areia cobre parte da carga. Em outros, objetos que permaneceram escondidos voltam a aparecer. Isso pode explicar por que as caixas de cerveja não haviam sido vistas nas explorações anteriores.

A garrafa recuperada estava selada. Segundo Truszynski, parte da carga foi acomodada de cabeça para baixo, posição que, somada à pressão em profundidade, pode ter impedido a entrada da água salgada pelos gargalos.

Laboratório dará a resposta

A condição da vedação será decisiva. Caso a água do mar tenha penetrado no recipiente, bactérias prejudiciais podem ter contaminado a bebida. Sem essa invasão, existe a possibilidade de que o líquido ainda possa ser experimentado, mas apenas depois da avaliação laboratorial.

Amostras foram encaminhadas à KU Leuven, na Bélgica, onde o microbiologista Kevin Verstrepen pretende examiná-las. Panis, que admite não ser um grande apreciador de Guinness, afirmou que provará um pouco se os testes indicarem segurança.

Truszynski também pretende participar da degustação. Para ele, o interesse não está apenas em beber uma cerveja antiga, mas em alcançar um sabor preservado desde a época vitoriana.

Levedura guarda outra pista

O grupo batizou a pesquisa de Project Jurassic Beer. Uma das metas é sequenciar o DNA da levedura encontrada na cerveja e identificar sua posição entre as linhagens usadas na fabricação da bebida.

Verstrepen considera possível que a levedura original já não esteja viva. Ainda assim, o material genético pode revelar parentes modernos próximos. A partir deles, os pesquisadores poderiam produzir uma cerveja com características semelhantes às daquela armazenada no Mindoro.

A Guinness foi fundada na Irlanda em 1759. A carga encontrada provavelmente havia sido exportada para Londres antes de seguir viagem a bordo do navio britânico.

Colisão encerrou a viagem

O Mindoro partiu em 20 de novembro de 1864. Sete dias depois, colidiu com o Khersonese e afundou no Canal da Mancha. Nenhum tripulante morreu no acidente, mas a carga permaneceu no fundo do mar.

Os mergulhadores planejam retornar ao local para recuperar mais exemplares. Duas garrafas devem ser encaminhadas à Guinness e outras duas ao laboratório de Verstrepen.

Enquanto isso, Panis guarda a primeira garrafa em sua garagem. Ela permanece mergulhada em água e protegida da luz, numa tentativa de reproduzir as condições que a conservaram por 162 anos. Depois de sobreviver à colisão, à pressão e às mudanças da areia, a cerveja ainda precisa passar por um último obstáculo antes de chegar a um copo: a resposta do laboratório.

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