A Meta colocou um sistema de reconhecimento facial dentro do aplicativo dos óculos inteligentes da empresa, segundo denúncia publicada pela Wired. A função, chamada NameTag, teria sido embutida em um app já instalado em mais de 50 milhões de celulares e transformava rostos capturados pela câmera em assinaturas biométricas.
O recurso não chegou a ser ativado publicamente, mas estaria pronto para uso. Segundo a análise, rostos que o sistema não reconhecia eram recortados, indexados e guardados em uma pasta de pendentes no próprio aparelho. Após a reportagem, a Meta apagou o código em um dia e afirmou que a função não existia.
A denúncia reacende o debate sobre vigilância, privacidade e reconhecimento facial. A mesma tecnologia já é usada no Brasil em sistemas de segurança pública, apesar de pesquisas apontarem risco maior de erro contra pessoas negras. Um levantamento de 2019 indicou que 90,5% dos presos por monitoramento facial no país eram negros.
A crítica central é que vender reconhecimento facial como segurança esconde o que a tecnologia faz na prática: catalogar pessoas, registrar trajetos e transformar rostos em dados rastreáveis. Quando uma empresa privada cria um banco de rostos no celular de milhões de usuários, ela também cria uma infraestrutura de vigilância que pode ser usada sem autorização clara da população.
Fonte: O Essencial


