Dois meses depois de votar para absolver o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Sebastião Reis Júnior voou no avião do governo do estado. Investigado por falsidade ideológica até este ano, o governador Mauro Mendes foi reeleito em outubro pelo União Brasil.
O voo oficial partiu de Cuiabá a Brasília em 7 de agosto. Também estava no avião o ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca, que não participou do julgamento do governador.
Em 2019, Mauro Mendes e a juíza do Trabalho Carla Reita se tornaram réus na Justiça Federal por falsidade ideológica. Segundo o Ministério Público Federal, Mendes e Reita atuaram em 2009 para comprar um apartamento em Cuiabá por meio de um leilão do Tribunal Regional do Trabalho, onde trabalhava a magistrada. Depois da compra, supostamente feita com declarações falsas, o imóvel foi transferido para a juíza.
Em junho deste ano, a Sexta Turma do STJ decidiu trancar o processo. O julgamento foi unânime: votaram pela absolvição os ministros Sebastião Reis, que em agosto voaria no avião do governo; Antonio Saldanha; Rogerio Schietti; e Olindo Menezes, relator do caso.
Procurado por meio do STJ, o ministro Sebastião Reis não respondeu por que usou o avião do governo do estado dois meses depois de votar para absolver o governador. O STJ afirmou que Sebastião Reis e Reynaldo Soares foram levados pelo governo de Mato Grosso de volta a Brasília depois de participarem de um evento em Cuiabá sobre o pacote anticrime.
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Segundo o STJ, o transporte aéreo foi cedido pelos organizadores do evento: a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso, a Fundação Escola Superior do MP de Mato Grosso e a Escola Superior de Advocacia da OAB de Mato Grosso.
Procurado, o governo do Mato Grosso afirmou que o voo foi solicitado pelo Tribunal de Justiça do estado após o evento sobre o pacote anticrime.
Fonte: Guilherme Amado, Eduardo Barretto l Metropoles


