Sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Mistério da posição das icônicas estátuas da Ilha de Páscoa pode ter sido desvendado

Investigação em Rapa Nui revela por que os moai foram erguidos em pontos específicos da costa do Pacífico

Mistério da posição das icônicas estátuas da Ilha de Páscoa pode ter sido desvendado

Uma pesquisa conduzida por especialistas da Universidade de Binghamton, em Nova York, identificou uma possível explicação para a localização das icônicas estátuas da Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico. 

Conhecidas como moai na língua polinésia nativa de Rapa Nui, as figuras humanas foram esculpidas em rocha vulcânica entre os anos 1300 e 1600 e eram dedicadas aos chefes da ilha. A maioria das mais de 1.000 esculturas está concentrada no litoral, uma distribuição que intrigava os arqueólogos.

A equipe encontrou uma correlação entre a posição dos monumentos e os pontos em que a água doce subterrânea emerge na costa. A descoberta ajuda a explicar a escolha desses locais em uma ilha onde o acesso à água potável é naturalmente limitado.

A escassez de água doce

Rapa Nui, território administrado pelo Chile, possui apenas dois lagos, ambos de difícil acesso, e uma única nascente que frequentemente se transforma em pântano. Os pesquisadores também consideraram outras pequenas fontes de água doce, mas concluíram que seria necessária uma alternativa para abastecer uma população de milhares de pessoas.

Conforme repercutiu o portal indy100, o antropólogo Carl Lipo, da Universidade de Binghamton, explicou a influência do solo vulcânico na disponibilidade de água superficial:

“Os solos vulcânicos porosos [da ilha] absorvem rapidamente a chuva, resultando na ausência de riachos e rios”.

Por causa dessa característica, os habitantes ancestrais dependiam da descarga de água subterrânea, processo pelo qual a água armazenada em aquíferos, formados por camadas de sedimentos ou rochas, chega à superfície. Em Rapa Nui, esse fluxo ocorre na costa, onde a rocha subterrânea porosa encontra o oceano.

“Felizmente, a água subterrânea flui para baixo e, por fim, emerge do solo exatamente no ponto em que a rocha subterrânea porosa encontra o oceano.”

Água salobra na costa

Quando a maré baixa, a água subterrânea flui diretamente para o mar e pode ser coletada no litoral. Essa água é salobra, uma

mistura de água doce e salgada com concentração de sal suficientemente baixa para permitir o consumo humano.

Relatos de exploradores europeus que chegaram à ilha no século 18 descrevem os habitantes bebendo água do mar. Os visitantes holandeses não compreendiam como isso seria possível, já que o organismo humano não consegue processar com segurança a alta concentração de sal da água do oceano. 

Segundo o material da pesquisa, os moradores consumiam a água salobra, cujo teor de sal era tolerável e dispensava a necessidade de acrescentar sal à comida.

Para verificar a relação entre esse recurso e a localização dos monumentos, os pesquisadores mediram a concentração de sal nas águas costeiras. A análise revelou uma correlação entre os pontos de acesso à água doce e a posição das estátuas.

“Quando as marés estão baixas, isso resulta no fluxo de água doce diretamente para o mar. Os seres humanos podem, portanto, aproveitar essas fontes de água doce, capturando a água nesses pontos.”

Sobre a distribuição dos monumentos, Lipo afirmou:

“Agora que sabemos mais sobre a localização da água doce […] a localização desses monumentos e outras características faz todo o sentido”. O antropólogo acrescentou: “Eles estão posicionados onde há disponibilidade imediata de água doce”.

Cooperação e engenharia comunitária

Os pesquisadores pretendem investigar se a disponibilidade de água doce também influenciou os métodos empregados na construção e no transporte dos moai. O objetivo é compreender melhor as condições que permitiram às comunidades organizar o trabalho coletivo necessário para realizar essas obras.

“Essas informações, em última análise, esclarecem as condições que impulsionaram e permitiram que essas comunidades trabalhassem juntas para alcançar seus feitos de engenharia”, afirmou Lipo.

O antropólogo também destacou como o estudo das dinâmicas comunitárias pode contribuir para a compreensão da cooperação entre grupos em diferentes períodos históricos:

“Ao adquirirmos conhecimento sobre o comportamento em escala comunitária, podemos obter informações sobre as condições gerais necessárias para a cooperação em nível de grupo – seja no passado ou na sociedade contemporânea.”

*Sob supervisão de Giovanna Gomes

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