Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

MPE investiga Vivo por suposta de quebra de sigilo de clientes

Operadora estaria anexando a processos judiciais a relação de telefonemas feitos pelos consumidores

MPE investiga Vivo por suposta de quebra de sigilo de clientes
Foto: Arquivo Colíder News

O Ministério Público Estadual abriu uma investigação contra a operadora de telefonia Vivo pela suspeita de quebra ilegal do sigilo telefônico de clientes em Cuiabá.


 

Ao menos 40 clientes - alvos de ação de cobrança por parte da telefônica - registraram boletins de ocorrência, que foram encaminhados para o promotor Mauro Poderoso, da 20ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá.

 

Conforme apurou a reportagem, a suposta quebra de sigilo ocorreria em meio a ações de cobrança ajuizadas pela Vivo.

 

Para receber valores considerados devidos pelos clientes, conforme a apurou a reportagem, a empresa anexava aos processos a relação de chamadas feitas por ele.

 

Ocorre que a prática, para o promotor, configura crime. Isso porque o artigo 325 do Código Penal veda a quebra de sigilo telefônico sem autorização judicial. Há ainda a possível violação ao artigo 5 da Constituição, que diz respeito à intimidade.

 

“São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”, diz trecho Constituição.

 

“É muito grave, fere direitos humanos, o artigo 5º é uma cláusula pétrea. Ninguém pode devassar a vida intima do outro”, disse um jurista ouvido pelo MidiaNews.

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Transação penal

 

Agora o promotor encaminhou as investigações para realizar a transação penal. A ideia é tentar um acordo com a empresa. Uma audiência de conciliação deve ser marcada nas próximas semanas.

 

Caso não haja em um acordo, o processo pode ser encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).

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