Mato Grosso liderou o desmatamento na Amazônia Legal no primeiro quadrimestre de 2023. Entre janeiro a abril passados, o Estado teve 400 km² devastados, respondendo por 33% de toda a destruição da floresta amazônica detectada no mesmo período. Os dados, divulgados ontem (17), são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Em segundo no ranking, aparece o Amazonas com 272 km² derrubados (23%), seguido do Pará, com 258 km² (21%). Juntos, os três estados foram os responsáveis por 77% da destruição nos primeiros quatro meses do ano.
Em todo bioma, o monitoramento aponta para uma queda de 36% no desmatamento no primeiro quadrimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2022. Porém, a avaliação é de que ainda não foi suficiente para tirar 2023 do pódio das maiores áreas desmatadas de janeiro a abril em 16 anos.
De acordo com o Imazon, 1.203 km² foram destruídos no período, o que representa a terceira maior desde 2008, quando a medição foi implantada. “Este ano só não teve os piores primeiros quadrimestres do que 2021 e 2022, quando a devastação aumentou expressivamente na região”, indica.
Apenas em abril, a queda no desmatamento chegou aos 72%, passando de 1.197 km² em 2022 para 336 km² neste ano. Diminuição que precisa seguir, conforme o Imazon, durante o chamado "verão amazônico", época de seca na região, que inicia entre maio e junho, quando a derrubada costuma ser maior.
"Essa redução observada em abril é positiva, porém a área desmatada ainda foi a quarta maior desde 2008 para o mês”, disse a pesquisadora do Instituto, Larissa Amorim, por meio da assessoria de imprensa. “Isso indica que precisamos implantar ações emergenciais de fiscalização, identificação e punição aos desmatadores ilegais nos territórios mais pressionados, focando nas florestas públicas que ainda não possuem uso definido e nas áreas protegidas, principalmente com a chegada do verão amazônico, onde historicamente o desmatamento tende a aumentar", completou.
Apesar de ocupar a liderança no ranking, Mato Grosso também teve redução do desmatamento em abril (72 km²) levando-se em consideração os três meses anteriores: março (86 km²), fevereiro (157 km²) e janeiro (85 km²). Em abril, o estado que liderou a destruição foi o Amazonas, com 92 km².
No entanto, o Imazon alerta que a destruição da floresta está avançando por diferentes pontos da região norte do Estado. Entre os municípios, o que mais desmatou foi Peixoto de Azevedo, com 15 km², o correspondente a 21% de toda a destruição registrada no território mato-grossense.
"Outro ponto negativo é o avanço na devastação dentro de áreas protegidas de Mato Grosso, como as unidades de conservação Resex Guariba-Roosevelt e Esec (estação ecológica) do Rio Roosevelt, e as terras indígenas Sete de Setembro, Sararé e Kayabi", reforçou Larissa Amorim.
SUPRESSÃO AUTORIZADA – A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) a aponta que, no primeiro trimestre de 2023, 51% da supressão do bioma amazônico em Mato Grosso foi feita de forma autorizada, atendendo aos critérios legais que permitem a abertura de 20% da propriedade e a preservação de 80%.
Segundo a Sema, a separação do que é legal e ilegal possibilita a eficiência da fiscalização remota e em campo. As equipes conseguem se deslocar com precisão até o ponto onde ocorre o desmate ilegal e impedir o avanço da abertura da área.
O órgão estadual de meio ambienta garante ainda que o Estado segue agindo com toda a sua estrutura e forças de segurança para coibir o desmatamento ilegal. Para fechar o cerco contra os infratores, o Estado colocou em campo a operação “Amazônica” com cerca de 200 servidores atuando nas regiões com maior pressão por desmatamento.
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Também nos últimos quatro anos, o investimento na prevenção e combate ao desmatamento ilegal e incêndios florestais chegou a R$ 180 milhões, com 27 mil alertas de desmatamento atendidos e R$ 5,2 bilhões em multas ambientais aplicadas.


