Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Na fila do ossinho e sem comida, mãe relata pior Natal da vida

Desempregados relatam Natal sem comida e Ano Novo

Na fila do ossinho e sem comida, mãe relata pior Natal da vida
Foto: ReproduçãoFoto: Arquivo Colíder News

Longas filhas e pessoas amanhecendo na porta do açougue para conseguir doações de ossos foram uma constante durante todo o ano, no CPA 2. No último dia de entrega dos donativos em 2021 não foi diferente.


Algumas pessoas chegaram tarde após enfrentarem quilômetros até o local e tinham esperança de conseguir o alimento após as entregas encerradas. Desempregados relatam Natal sem comida e Ano Novo "feio".

As entregas no Atacadão da Carne estão sendo feitas às segundas e quintas-feiras. Por conta do sol quente, os ossinhos são doados nas primeiras horas do dia. Além do produto animal, uma vez por mês são entregues sacolões.

Nesta quinta-feira (30), Ivani Torres Nunes caminhou uma hora sob o sol para chegar ao açougue e receber doações. Ela mora na área ocupada do Residencial Jonas Pinheiro e foi ao comércio, acompanhada pelo marido e uma das filhas.


Há cerca de dois anos, a mulher viveu o drama de perder todo o que tinha em casa. O imóvel em que a família residia pegou fogo e, no desespero, ela jogou a neta pela varanda para que outra pessoa a amparasse. Apesar da manobra arriscada, todos ficaram bem. O marido teve queimadura no corpo e carrega ainda uma grande cicatriza no pé.


Desempregado, o casal vive da venda de água mineral nos semáforos de Cuiabá. Contudo, o período chuvoso tem atrapalhado o trabalho. Consequentemente, a renda caiu drasticamente. “Ontem a gente conseguiu R$ 15 o dia todo”, relata.


Ivani conta que o Natal de 2021 foi o pior de toda sua vida. Ceia foi um luxo ao qual não tiveram acesso. Não houve sequer jantar.


“Não teve comida, não teve nada lá em casa. Eu estava contando com o sacolão de hoje para levar alimento para minha casa e ter um jantar no Ano Novo”, conta a mulher.


Além do ossinho e venda de água, a família não tem outra fonte de subsistência. Ivani relata que já fez cadastro para receber ajuda da Prefeitura de Cuiabá, mas nunca teve qualquer auxílio.


“Esse fim de ano a coisa lá em casa está feia”, afirma.


A mulher conseguiu trabalho como faxineira, mas por conta de problemas de saúde não permaneceu no emprego. O esposo, Rodrigo Barbosa da Silva, 36, não é contratado por conta de já ter cumprido pena por assalto quando ainda tinha 18 anos, como explicou. Assim, o casal busca no trabalho informal dinheiro para o sustento.

Em situação semelhante está Domingos de Jesus, 58. Há 3 anos ele está desempregado e conta com ajuda de vizinhos para sustentar a casa. Antes, ele trabalhava em sítios de Cuiabá e proximidades. Após perder emprego, o homem foi diagnosticado com problemas de saúde que o impedem de executar serviços pesados.


A esposa trabalha como faxineira e ele faz pequenos serviços, como limpar lotes e catar latinhas, para complementar a renda da casa. Ele já tem pedido de aposentadoria, mas ainda não foi autorizada.


O casal tem 3 filhos pequenos, de 2, 8 e 10 anos, e reside no bairro Jardim Umuarama. Há anos, o homem recebe doações de ossinhos e percorre de bicicleta o trajeto de 2 horas entre sua casa e a casa de carne.


Após espera sob o sol, ele conseguiu uma cesta básica. “Essas doações ajudam muito. O Ano Novo lá em casa ia ser feio”, conta o homem.


As famílias precisam de todo tipo de ajuda. Quem puder colaborar pode entrar em contato direto com eles pelos telefones: Domingos (65) 9 9224 71367 ( Nice) ou (65) 9 9351 0283 (Nayara). Já o contato de Ivani é (65) 9 9359 7478.

 

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A Prefeitura de Cuiabá foi procurada e informou que duas vezes por semana a equipe de assistência social faz levantamento de pessoas em situação de vulnerabilidade e cadastro das que precisam de amparo. Na semana passada, os agentes realizaram o listagem de quem estava na filha do ossinho. Essa é a segunda vez que o cadastro é concentrado no local.

 

Segundo a assessoria da prefeitura, o cadastro visa incluir as pessoas do Cadastro Único (CadÚnico) para recebimento de ajuda do governo Federal. Também visa oferecer cursos e reinserção no mercado de trabalho.


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