Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Nasa encerra isolamento de 378 dias de simulação a Marte

Nasa encerra simulação de 378 dias em habitat marciano e avalia lições para missões tripuladas

Nasa encerra isolamento de 378 dias de simulação a Marte
Rep. SpaceMoney

Quatro integrantes da segunda missão CHAPEA, da Nasa, deixaram o isolamento no Centro Espacial Johnson, em Houston, após 378 dias dentro de um habitat que recria condições de uma estadia em Marte. O grupo cumpriu tarefas de manutenção, plantio e operações simuladas, enquanto a agência busca entender como equipes podem preservar saúde, produtividade e conexão em viagens longas fora da Terra. A experiência também alimenta os planos norte-americanos de levar astronautas ao planeta vermelho na década de 2030, depois de retomar a presença humana na Lua.

Rotina de 378 dias em um habitat marciano

Os quatro participantes entraram no habitat construído por impressão 3D, com 158 metros quadrados, em 19 de outubro de 2025. Durante o período, realizaram atividades como plantio em terra que imita o solo marciano e interagiram com funcionários da Nasa sob atrasos que reproduzem o intervalo entre uma mensagem enviada e a resposta recebida em comunicações interplanetárias. A equipe era formada por Ellen Ellis, médica da missão; Ross Elder, comandante; Matthew Montgomery, oficial científico; e James Spicer, engenheiro de voo.

Esta foi a segunda edição do CHAPEA. Antes, outro grupo de quatro pessoas permaneceu isolado por 378 dias no mesmo centro, entre 2023 e 2024. A nova conclusão do exercício ocorre enquanto a Nasa acumula experiência para reduzir riscos de uma futura expedição tripulada a Marte, missão que exigirá autonomia e planejamento em ambiente com recursos limitados.

Comunicação lenta e autonomia como teste

Vanessa Wyche, diretora do Centro Espacial Johnson, recebeu os integrantes na saída e destacou que eles viveram com recursos restritos, mantiveram o habitat e executaram operações simuladas. Segundo ela, os atrasos nas comunicações interplanetárias simuladas exigem paciência, planejamento rigoroso e maior independência, qualidades que serão essenciais para astronautas que viajarão a milhões de milhas do lar.

A Nasa procura extrair dos 378 dias informações sobre adaptação a rotinas e exigências de missões de longa duração fora da Terra. A agência pretende usar essas lições para preparar equipes capazes de preservar saúde, produtividade e conexão durante deslocamentos prolongados, primeiro com foco na Lua e, mais adiante, em Marte.

Próximos passos e ambição espacial dos EUA

Após deixar o habitat, os quatro passarão por duas semanas de avaliações pós-missão e reuniões de balanço com cientistas da Nasa. Ellis classificou a experiência como um ano marcante de reclusão voluntária e afirmou que a janela para preservar a supremacia espacial dos Estados Unidos está se estreitando. Ela mencionou a escola militar voltada a operações no espaço criada pelo governo norte-americano e os planos de uma base lunar, defendendo que o país lidere com ciência que beneficie a economia e assegure um legado espacial para as próximas gerações.

Ross Elder disse que os riscos de uma missão a Marte são elevados, mas que compreensão, visão sólida, liderança, criatividade, fortaleza, trabalho árduo e uma base consistente tornam o objetivo não somente possível, mas inevitável. De acordo com a Reuters, a Nasa já explorou o planeta com robôs e naves em órbita e agora tenta transformar os aprendizados do CHAPEA em preparação concreta para levar humanos ao vizinho da Terra.

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