O neurocirurgião Igor Yssao Moreira Yamamura, de 38 anos, morreu sem ter a chance de concluir o sonho de abrir um hospital especializado em neurologia, para atender o Município de Primavera do Leste e região.
A revelação foi feita pela viúva, a psicanalista Karla Karla Rossana Barros Yamamura, em entrevista ao MidiaNews na semana passada.
Igor foi vítima de um ataque fulminante no dia 31 de julho, enquanto participava de uma festa de aniversário no Lago do Manso.
Casado havia apenas 40 dias com Karla, eles planejavam aumentar a família no ano que vem. Por meio de inseminação, pretendiam ter gêmeos e os nomes já estavam até escolhidos.
Apesar de Igor não ter filhos biológicos, ele era como um pai para o filho da esposa, de 6 anos, e o apresentava como tal. Ele já estava organizando a próxima festa de aniversário com tema de homem aranha.
“Ele amava a profissão, amava operar. A gente estava muito feliz, muitos planos, de ter os bebês, as viagens... Não é fácil”, afirmou Karla.
O casal se conheceu em 2019 em Várzea Grande, quando Karla ainda era vizinha dos pais de Igor. A ligação entre os dois foi quase que instantânea e em pouco tempo já estavam morando juntos.
“Foi amor à primeira vista. Ele era um homem muito culto, cheiroso, tocava, cantava, tinha uma voz grave. A gente tinha sintonia, telepatia. Eu pensava em uma coisa ele falava, ou a gente falava a mesma coisa ao mesmo tempo. Tenho certeza que ele é a minha alma gêmea”.Tamanha era a ligação entre os dois que até a data do aniversário era a mesma, em 18 de dezembro. “Eu estou sem chão, arrasada”.
“Ele era muito bem humorado, alegre, cheio de vida, gostava de viver”.
Driblou a morte por duas vezes
Ao longo dos anos, Igor driblou a morte duas vezes, em dois graves acidentes que deixaram sequelas.
Um deles aconteceu em 2016 no Rio Grande do Sul, quando o neurocirurgião sofreu um acidente de moto e precisou passar por cirurgia.
O mais recente, do qual ainda estava se recuperando, aconteceu em janeiro deste ano. Dele, Igor saiu com 5 costelas fraturadas, sendo preciso realizar fisioterapia e tomar medicação para evitar as fortes dores que a lesão deixou.
“Eu estou sem acreditar, porque ele sofreu acidentes gravíssimos e sobreviveu e uma coisa idiota o matou interrompendo os nossos sonhos. A gente brincava que ia ficar até velhinho junto. Era um homem forte, cheio de vida”.
Sentia dores severas
No dia 29 de julho, Igor saiu de casa, em Primavera do Leste, para atender em uma clínica particular de Cuiabá. Para o final de semana estava marcado o aniversário do dono de uma pousada no Lago do Manso, amigo da família. Ele então ficou para o evento.
Como as aulas do filho começariam naquela segunda-feira, Karla não pôde acompanhar o marido.
Segundo ela, desde cedo começou a receber mensagens de Igor se queixando de dores. “Ainda falei: ‘Tenha juízo’. Porque ele estava com um problema grave na coluna por causa do acidente, ele não podia ficar muito tempo em pé”.
Igor chegou a pedir a um amigo de Cuiabá para lhe levar alguns relaxantes musculares para aliviar as dores. Karla acredita que tenham sido medicamentos como Torsilax e Voltarem, mas não sabe se ele misturou a medicação com álcool. O exames de necropsia ainda não foram finalizados.
O neurocirurgião não tinha, segundo a esposa, nenhum tipo de doença cardíaca. Mas no início do ano havia sido diagnosticado com pressão alta e sobrepeso. Em parte por causa das dores, não estava praticando nenhum tipo de exercício físico.
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Com a morte do marido, Karla aguarda a finalização de questões burocráticas para se mudar da cidade e voltar a morar com a mãe em Tangará da Serra.
Ela também pretende retomar a carreira depois de conseguir lidar com a morte de Igor. “Superar eu não vou, ninguém supera. A gente aprende a lidar e só quem passa por isso sabe. Primeiro eu quero me curar, me tratar, pra depois curar e tratar os outros”, afirmou.
FONTE: https://www.midianews.com.br/cotidiano/neurocirurgiao-tinha-sonho-de-abrir-hospital-e-aumentar-a-familia/428639


