Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Número alto de oficiais do Exército e Aeronáutica solicitando demissão impressiona e internet reage

A notícia de que oficiais das Forças Armadas estariam solicitando demissão devido à falta de perspectiva foi assunto recorrente nas redes sociais.

Número alto de oficiais do Exército e Aeronáutica solicitando demissão impressiona e internet reage
Foto: Arquivo Colíder News

Esta semana, a Revista Sociedade Militar trouxe a alarmante notícia que um número extraordinariamente grande de oficiais do Exército Brasileiro e Aeronáutica têm solicitado para serem demitidos do serviço ativo. Em entrevista exclusiva à publicação, militares formados nas academias mais tradicionais do país, como AMAN e IME, alegam existir inúmeros motivos para tais decisões.

Os salários baixos são uma reclamação recorrente. E não é de hoje. Em 2013, o então Sargento Vinícius Feliciano, de 29 anos, também ouvido pela Revista Sociedade Militar, fez um protesto inusitado: desceu a ponte Rio-Niterói de Rapel, tentando chamar a atenção para os valores baixos pagos pelo Exército. Na época, o sargento acabou sendo preso por isso.

Dez anos depois, o valor dos ordenados aparentemente ainda é um problema nas Forças Armadas. Vários militares ouvidos pela revista mencionaram o salário como fator número 1 de desagrado com a carreira nas Forças Armadas.

Soma-se a isso o fato de que, segundo os entrevistados, os métodos antiquados e subjetivos de avaliação dos oficiais e praças também tem desencorajado os jovens a seguirem com a carreira. Alguns militares observaram que chegaram a receber uma avaliação negativa ao se negar a fazer um agrado simples a um oficial superior, como não comparecer a uma festa de aniversário.

Outros se queixaram que parentes e amigos de oficiais de alto escalão tem maior privilégio na escolha para cargos, o que também seria um dos motivos para o crescente descontentamento com a carreira dentro da Força.

Leitores reagem às declarações

Os leitores da Revista Sociedade Militar se indignaram com as declarações. Um comentário sugeriu que o Nepotismo e a adulação de superiores estaria destruindo a meritocracia dentro das Forças Armadas, provocando um consequente desmonte. 

Outro leitor expressou seu descontentamento enquanto militar do Exército: “Em minha opinião, como cidadão e S Ten R1: o povo tem que demonstrar o seu descontentamento! A culpa de tudo o que está ocorrendo é dos Oficiais Generais, Almirante e Brigadeiros. Os oficiais sempre pularam do barco e o barco fica a Comando dos S Ten e Sgt, sempre foi assim!”, observou. 

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Maior parte das reclamações vem de militares jovens

Boa parte dos comentários mostraram-se chocados com o fato de que os militares que tem solicitado demissão do serviço ativo são, em sua maioria, jovens. Teoricamente, oficiais e praças mais jovens tem perspectivas melhores de carreira dentro das Forças Armadas e seu descontentamento com a carreira seria um sinal grave de alerta. Um leitor perguntou: “Será que agora cai a ficha da necessidade de um repensar a instituição como um todo: código de ética, formação, mecanismos de controle desses abusos, estrutura da carreira, remuneração?”

Outro comentário tem uma opinião parecida: “Eu me reformei aos 32 anos de serviço e para não ficar parado fiz concurso público e me tornei professor de uma prefeitura. Lá minha hora de trabalho vale mais que o dobro da que eu recebo no Exército Brasileiro como subtenente (com todos os aditivos que os 32 anos poderiam me dar). Para que um jovem que começa a carreira como sargento ganhando um pouco mais de 3 mil reais vai querer ficar nas Forças Armadas e quando sair ganhar pouco mais que o dobro disso?”, questionou o militar reformado.

“Eu era médica e pedi meu desligamento após 13 anos. Texto perfeito e eu adicionaria vários outros problemas. Daria uma nova reportagem.”, indignou-se outra leitora.

Certamente há muito o que se falar do assunto e muitas pessoas, inclusive civis, tem se juntado ao crescente coro de militares insatisfeitos.


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