Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

“O agro não está em crise”, diz vice-presidente do Banco do Brasil

Gilson Bittencourt reconhece problemas de liquidez, mas afirma que mais de 90% dos produtores estão em dia e espera queda da inadimplência a partir de 2027

“O agro não está em crise”, diz vice-presidente do Banco do Brasil
Rep. Agrimídia

O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, afirma que o setor agropecuário não vive uma crise, apesar do aumento da inadimplência no banco e no mercado financeiro. Segundo ele, mais de 90% dos produtores continuam com as contas em dia e a produção segue forte. “O agro não está quebrado, não está em crise, está pujante”, disse em conversa com a imprensa nesta semana.

Bittencourt reconhece que há problemas de liquidez no campo, mas avalia que o setor segue “estruturado e capitalizado”. Embora os preços das commodities tenham recuado desde a pandemia, as terras e o patrimônio dos produtores se valorizaram. Para ele, a situação é diferente da crise do fim dos anos 1980 e meados dos 1990, quando o setor reduziu área, investimentos e produção. “Hoje, a área plantada continua estável ou até crescendo dependendo do produto, as expectativas de produção e produtividade continuam elevadas mostrando que tem investimento”, afirmou.

Renegociação

O executivo vê espaço para recuperar a capacidade de pagamento com a reação recente nos preços das commodities, a perspectiva de boa safra em 2026/27 e a queda dos juros. Ele defende que os produtores inadimplentes busquem a renegociação prevista na Medida Provisória 1.376/2026, que oferece prazo de até dez anos para quem teve perdas com clima ou oscilações de mercado. Nesse caso, as primeiras parcelas de juros só seriam pagas daqui a seis meses, já com a nova safra.

O BB já tem R$ 16 bilhões em dívidas em análise para renegociação pela MP. Ainda assim, segundo Bittencourt, a expectativa de novas medidas para o endividamento rural no período eleitoral levou alguns produtores a atrasar pagamentos. Para ele, isso agrava a situação. “Quanto mais tempo o produtor ficar inadimplente, mais a situação de risco dele vai ficar agravada, mais difícil fica para ele acessar crédito em qualquer instituição financeira no futuro”, alertou.

Inadimplência e provisões

A inadimplência da carteira de agronegócios do BB estava em 6,27% em julho. O banco espera estabilizar o índice no último trimestre e começar a reduzi-lo a partir de 2027. No primeiro semestre, o BB tinha R$ 43,6 bilhões em provisões para perdas na carteira de crédito rural, que soma R$ 421,5 bilhões. Segundo Bittencourt, a renegociação deve reduzir a necessidade de provisão só no médio prazo, porque a adesão dos inadimplentes ficou abaixo do esperado.

Com informações da Globo Rural

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