Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

PF aponta nove voos com cocaína e armas em rota que passava por MT

Investigação da Operação Bóreas estima cargas próximas de 500 quilos de cocaína por viagem; se o volume indicado se repetir nos nove voos investigados, movimentação pode ter alcançado cerca de 4,5 toneladas

PF aponta nove voos com cocaína e armas em rota que passava por MT

Uma organização criminosa investigada pela Polícia Federal teria realizado pelo menos nove voos de grande porte entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025 para transportar cocaína e armas da Bolívia e do Peru ao Brasil. A estrutura utilizava aeronaves, pistas clandestinas e equipes de apoio em diferentes Estados, incluindo Mato Grosso.

Documentos da investigação da Operação Bóreas apontam cargas próximas de 500 quilos de cocaína por viagem. Considerando nove voos com esse volume, a movimentação potencial chega a aproximadamente 4,5 toneladas da droga. O cálculo é uma projeção a partir dos dados atribuídos pela investigação às viagens e não significa que a PF tenha confirmado a apreensão ou o transporte exato de 4,5 toneladas.

INFO rotas tráfico internacional

 

A existência do esquema de transporte aéreo internacional é confirmada pela Polícia Federal. Segundo o órgão, o grupo investigado era responsável pela organização dos voos, utilização das aeronaves e de pistas clandestinas e pelo suporte logístico para levar grandes carregamentos de cocaína e armas de fogo da Bolívia e do Peru para o território brasileiro.

A investigação alcança Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins, colocando o território mato-grossense dentro da estrutura logística apurada. Até agora, entretanto, a PF não informou publicamente quantos dos nove voos pousaram ou decolaram especificamente em Mato Grosso nem revelou a localização das pistas clandestinas relacionadas ao Estado.

Esse é um dos pontos ainda em aberto na investigação: estabelecer com precisão quais municípios mato-grossenses funcionavam como escala, base operacional, abastecimento ou destino das cargas.

AVIÃO COM 475 KG - Um episódio ocorrido em fevereiro de 2025 ajuda a dimensionar a capacidade das operações aéreas investigadas.

Naquele mês, Márcio Rabello Mesquita Theodoro foi preso quando pilotava um Cessna 210M, prefixo PS-PIX, que pousou irregularmente em uma pista na zona rural de Caseara, no Tocantins. Dentro da aeronave foram encontrados aproximadamente 475 quilos de cloridrato de cocaína e pasta-base, além de pequena quantidade de maconha ou haxixe.

A apreensão ocorreu justamente no fim do intervalo de novembro de 2024 a fevereiro de 2025 atribuído aos nove voos investigados. As apurações da Bóreas derivam de investigações relacionadas a recentes apreensões de drogas realizadas no Tocantins.

A quantidade encontrada no Cessna também se aproxima dos cerca de 500 quilos apontados por viagem na apuração, dando dimensão concreta do volume que uma única aeronave poderia transportar.

MATO GROSSO NA LOGÍSTICA - A participação de Mato Grosso na investigação não se resume às rotas aéreas.

A Operação Bóreas chegou a Cuiabá, onde foi presa preventivamente a empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, irmã de Márcio. A prisão foi posteriormente substituída por medidas cautelares pela Justiça Federal.

A investigação atribui a ela possível atuação na frente financeira e patrimonial da organização. A defesa nega envolvimento com o tráfico e contesta as acusações. A Polícia Federal não detalhou em sua divulgação oficial as condutas individuais dos investigados.

Durante buscas na residência da empresária em Cuiabá foram apreendidos dinheiro em espécie, joias, celular e veículos.

O fato de uma investigada ser empresária na Capital ganhou destaque desde a deflagração da operação, mas a dimensão da estrutura aérea revela uma investigação mais ampla. A própria PF define o alvo como uma organização especializada na logística de transporte aéreo internacional de drogas e armas.

Na operação, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, além de medidas para apreender aeronaves e bloquear e sequestrar bens e valores. A Justiça também autorizou medidas determinadas pela 4ª Vara Federal de Palmas. A PF solicitou ainda a inclusão de dez investigados na Difusão Vermelha da Interpol.

PISTAS AINDA NÃO REVELADAS - A localização das pistas clandestinas pode mostrar o verdadeiro peso de Mato Grosso na rota.

Até o momento, as informações públicas da Polícia Federal confirmam a utilização desse tipo de estrutura, mas não identificam as pistas em território mato-grossense nem quantos dos nove voos passaram pelo Estado. Também não permitem afirmar que os nove carregamentos tenham pousado em Mato Grosso.

A investigação procura reconstruir uma logística que ia além do piloto e da aeronave. Para manter uma rota aérea clandestina desse porte, o grupo precisaria organizar pousos, suporte em solo, movimentação das cargas e continuidade do transporte depois da chegada ao Brasil.

Além da cocaína, a PF afirma que armas de fogo também eram trazidas da Bolívia e do Peru. O órgão, porém, não divulgou a quantidade ou o tipo de armamento transportado em cada viagem.

Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros crimes que possam ser identificados no avanço das investigações.

Mais do que a repercussão sobre um dos alvos em Cuiabá, a Operação Bóreas abre agora outra frente de interesse para Mato Grosso: descobrir onde estavam as pistas, quantos voos utilizaram o Estado e qual papel o território mato-grossense desempenhava no corredor aéreo usado para trazer cocaína e armas das fronteiras internacionais para o interior do país.

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