A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (30), a 9ª fase da Operação Sisamnes, destinada a aprofundar as investigações sobre o vazamento e a comercialização de informações sigilosas oriundas de inquéritos policiais em andamento. A operação, que tramita sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorre em Palmas (TO), onde foram expedidos três mandados de busca e apreensão e medidas restritivas adicionais.
De acordo com a PF, os investigados tiveram acesso antecipado a detalhes estratégicos de operações policiais, o que comprometeu a eficácia de ordens judiciais que seriam executadas nos desdobramentos anteriores da investigação. As informações teriam sido utilizadas de forma indevida, evidenciando um esquema estruturado de obstrução à justiça e favorecimento ilícito.
A nova fase também tem como objetivo investigar eventuais regalias indevidas concedidas a um dos investigados que se encontra atualmente preso. O foco recai sobre supostos privilégios incompatíveis com a condição legal do detento, o que pode configurar violação de deveres funcionais por parte de servidores públicos.
A operação é parte integrante do plano de combate à corrupção institucional e à obstrução de investigações sensíveis. Desde a primeira fase, a Sisamnes já mobilizou dezenas de agentes federais em diversos estados e gerou desdobramentos que envolvem integrantes do Judiciário, Ministério Público e advocacia.
No âmbito estadual, dados da Polícia Federal apontam que Mato Grosso figura entre os cinco estados brasileiros com maior número de investigações por crimes correlatos, como corrupção passiva, violação de sigilo funcional e conluio para obstrução judicial. Em 2023, o estado registrou 47 inquéritos envolvendo suspeitas de vazamento de informações sigilosas, segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU).
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As investigações seguem em sigilo, e os nomes dos envolvidos não foram divulgados. A Polícia Federal reforça que todas as ações obedecem aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, respeitando a legalidade e os direitos fundamentais dos investigados.


