Domingo, 4 de outubro de 2026

Pirâmides do Egito no chão: descoberto sistema hidráulico que muda teoria sobre construção

A teoria propõe que os blocos eram movidos por pressão da água, um processo descrito como “estilo vulcânico”, até alcançarem o topo da pirâmide

Pirâmides do Egito no chão: descoberto sistema hidráulico que muda teoria sobre construção
Foto: Arquivo Colíder News
Um novo estudo pode mudar tudo o que se sabia sobre a construção das pirâmides do Egito. Pesquisadores franceses descobriram um sistema hidráulico subterrâneo que teria sido usado para erguer a mais antiga delas: a Pirâmide de Degraus de Djoser, em Saqqara.


A estrutura, construída há mais de 4.600 anos, durante a Terceira Dinastia, é considerada a primeira construção monumental em pedra da humanidade e, até então, seu método de construção permanecia um mistério.

Conteúdos em alta
A pesquisa, liderada pelo Dr. Xavier Landreau, do Instituto Paleotécnico do CEA, da França, utilizou imagens de radar de satélite e relatórios arqueológicos antigos para desvendar um complexo sistema de gestão de água sob o planalto.

Como o sistema hidráulico foi usado para construir as Pirâmides do Egito?
O estudo indica que os egípcios teriam usado a força da água para transportar e erguer blocos de pedra calcária que pesavam toneladas.

“Imagens de satélite mostram que um recinto retangular de pedra conhecido como Gisr el-Mudir, localizado a oeste da necrópole de Saqqara, possui todas as características técnicas de uma barragem de contenção”, explicou Landreau ao jornal israelense Haaretz.

Pirâmide de Degraus de Djoser, em Saqqara

Segundo o pesquisador, essa estrutura teria controlado o fluxo de enchentes e capturado blocos levados pelo rio, funcionando como parte de um sistema de elevação hidráulica.

A teoria propõe que os blocos eram movidos por pressão da água, um processo descrito como “estilo vulcânico”, até alcançarem o topo da pirâmide. O sistema contaria com canais, bacias e comportas que direcionavam a água limpa e controlavam a pressão necessária para levantar as pedras.

Os pesquisadores também identificaram uma monumental estrutura escavada na rocha, ao sul da pirâmide, com características semelhantes a uma estação de tratamento de água.

Pirâmide de Degraus de Djoser, em Saqqara
Além de auxiliar na construção da pirâmide, essa estrutura teria controlado o fluxo de enchentes

Segundo o estudo, o local possuía uma bacia de decantação, uma bacia de retenção e um sistema de purificação, responsáveis por alimentar o mecanismo hidráulico com água livre de sedimentos.

‘O problema não era a falta de água, mas o excesso dela’
Outro ponto fundamental é o contexto climático da época. O Egito vivia o fim do chamado “Período do Saara Verde”, quando a região recebia chuvas abundantes e possuía vegetação densa.

O antigo riacho Uádi de Abusir teria fornecido o volume necessário para sustentar o sistema. “Na Terceira Dinastia, o problema não era a falta de água, mas o excesso dela. E os egípcios souberam transformá-la em força construtiva”, afirmou Landreau.

África viveu “Período do Saara Verde”
Se confirmada, a hipótese mudará o entendimento sobre as técnicas de engenharia egípcia e sobre o próprio desenvolvimento das civilizações antigas. Até hoje, acreditava-se que rampas de areia e rolos de madeira haviam sido usados para mover as pedras, um método que exigiria força humana colossal.

Os cientistas alertam, porém, que mais pesquisas de campo são necessárias para comprovar a teoria. Novas escavações e modelagens hidráulicas devem ser conduzidas nos próximos anos para testar se o fluxo de água do antigo Uádi seria suficiente para mover as pedras da pirâmide.
Esta informação foi útil?Compartilhe com seus contatos.
22ª Festa do Carneiro
Publicidade 22ª Festa do Carneiro Conhecer parceiro