Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Polícia apura desvio de R$ 2,8 milhões em combustíveis

Investigação identificou 6.520 abastecimentos suspeitos em concessionária responsável por rodovias estaduais

Polícia apura desvio de R$ 2,8 milhões em combustíveis
Rep. PJC/MT

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (4), a Operação Rota Paralela.

A ação visa investigar um suposto esquema de desvio de combustíveis envolvendo funcionários e terceiros ligados a uma concessionária responsável pela administração de rodovias estaduais.

As irregularidades investigadas podem alcançar R$ 2,8 milhões.

A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), identificou 6.520 operações suspeitas, entre 26.113 transações de abastecimento realizadas entre janeiro de 2024 e julho de 2025.

Os registros considerados irregulares representam aproximadamente 25% de todos os abastecimentos examinados pelos investigadores.

A operação cumpre 23 ordens judiciais nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Colíder e Alto Taquari.

As medidas incluem sete mandados de busca e apreensão, seis cautelares diversas da prisão, seis bloqueios de ativos financeiros e quatro restrições judiciais de veículos.

A Justiça também autorizou o sequestro e arresto de bens e valores até o limite global de R$ 2.796.942,48, com o objetivo de assegurar eventual recuperação dos recursos supostamente desviados.

As decisões foram expedidas com base nos elementos reunidos pela Deccor, que contou com o apoio de equipes policiais de Alto Araguaia e Colíder no cumprimento dos mandados.

CARTÕES CORPORATIVOS – Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram depois que a própria concessionária identificou possíveis irregularidades na utilização de cartões corporativos destinados exclusivamente ao abastecimento de veículos e equipamentos empregados na conservação e manutenção das rodovias estaduais.

Os investigadores apuraram que os cartões teriam sido utilizados para registrar abastecimentos fictícios ou incompatíveis com as atividades desenvolvidas pela empresa.

A suspeita é de que essas operações permitissem o desvio de combustíveis e a geração de créditos em estabelecimentos comerciais.

Conforme a investigação, funcionários responsáveis pelo gerenciamento dos cartões corporativos teriam utilizado suas funções para viabilizar as transações irregulares, com possível participação de outras pessoas na destinação dos combustíveis.

A Polícia Civil identificou diferentes situações consideradas incompatíveis com a rotina operacional da concessionária.

Entre elas estão abastecimentos registrados durante a madrugada, operações sucessivas em intervalos de tempo incompatíveis com a capacidade dos veículos e utilização de cartões vinculados a equipamentos que não justificariam os volumes de combustível lançados no sistema.

Esses registros passaram a integrar o conjunto de elementos que fundamentou o pedido de medidas judiciais.

MOVIMENTAÇÕES SUSPEITAS – A análise dos 26.113 abastecimentos permitiu aos investigadores identificar um conjunto de operações que, somadas, alcançam aproximadamente R$ 2,8 milhões.

O valor corresponde às transações consideradas suspeitas e não representa, nesta fase, prejuízo definitivamente comprovado.

As investigações procuram esclarecer como os cartões eram utilizados, quem autorizava as operações e qual teria sido a participação individual de funcionários e terceiros no suposto esquema.

Também será necessário identificar a destinação dos combustíveis e dos créditos que teriam sido gerados a partir das transações.

O bloqueio de ativos financeiros e as restrições sobre veículos buscam preservar patrimônio que poderá ser utilizado para ressarcimento, caso sejam confirmadas as irregularidades.

A autorização judicial também permite aos investigadores acessar dados armazenados em dispositivos eletrônicos eventualmente apreendidos durante o cumprimento dos mandados.

A análise desses equipamentos poderá contribuir para reconstruir a movimentação dos cartões corporativos e identificar possíveis vínculos entre os investigados.

SERVIÇOS RODOVIÁRIOS – A suspeita de desvio envolve combustíveis destinados a veículos e equipamentos utilizados na conservação e manutenção de rodovias estaduais.

Por essa razão, uma das questões que ainda precisam ser esclarecidas é se as irregularidades provocaram algum impacto na execução dos serviços prestados pela concessionária.

O material divulgado sobre a operação não identifica a empresa investigada nem informa se houve comprometimento de atividades de manutenção, conservação ou atendimento aos usuários das rodovias.

Também não foram detalhados os nomes dos investigados ou eventual participação de postos de combustíveis nas operações suspeitas.

A Polícia Civil informou que as medidas judiciais têm como finalidade aprofundar a apuração, preservar provas, individualizar as responsabilidades e possibilitar a recuperação dos valores supostamente desviados.

A investigação prossegue para esclarecer a extensão do esquema e a participação de cada envolvido.

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