Domingo, 4 de outubro de 2026

Polícia apura fraude de R$ 70 milhões em plano de saúde em MT, no DF e outros 3 estados

Em Mato Grosso, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Cáceres e Mirassol D’Oeste; a investigação apontou que grupo desviava valores de operadora para empresas de familiares e amigos

Polícia apura fraude de R$ 70 milhões em plano de saúde em MT, no DF e outros 3 estados
Foto: Arquivo Colíder News

A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (20), operação para coibir fraudes contra planos de saúde praticadas no Distrito Federal e em outras três unidades da federação. A suspeita é de que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 70 milhões. Ao todo, os policiais cumpriram 15 mandados de busca e apreensão em:


  • Águas Claras (DF)
  • Setor de Indústrias e Abastecimento (DF)
  • Gama (DF)
  • Guará (DF)
  • Riacho Fundo (DF)
  • Luziânia (GO)
  • Rio Verde (GO)
  • Cáceres (MT)
  • Mirassol D´Oeste (MT)
  • Porto Velho (RO)

De acordo com a Coordenação de Repressão a Crimes contra o Consumidor, Propriedade Imaterial e Fraudes (Corf), o grupo praticava crimes como falsidade ideológica, falsificação de documentos, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Gestores de uma operadora de plano de saúde e cinco empresas privadas estariam envolvidas no esquema.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – órgão responsável por fiscalizar planos de saúde – identificou a prática criminosa e acionou os investigadores. De acordo com a Polícia Civil, entre 2013 e 2018, diretores, contadores e funcionários de uma operadora do benefício desviaram valores milionários de contas bancárias de planos de saúde.

As quantias eram repassadas a empresas vinculadas a amigos e familiares dos dirigentes. As transações, segundo a polícia, eram feitas sem contratos formais e sem emissão de notas fiscais, "que dessem suporte às transações, que justificassem eventuais serviços prestados ou produtos adquiridos".



A operadora investigada atua no Centro-Oeste e em Tocantins. Ao todo, há 55 mil associados.

Movimentação

Os investigadores analisaram 380 mil movimentações bancárias e fiscais da operadora de plano de saúde, de empresas e pessoas envolvidas. Segundo a Polícia Civil, houve divergência na documentação contábil dos envolvidos, além de transações incompatíveis com o faturamento.

Nesse período, a investigação apontou transações financeiras de quase R$ 3 milhões feitas para microempresas destinadas a prestação de serviços de chaveiro. Além disso, os suspeitos ainda teriam feito trâmites financeiros com empresas do ramo agropecuário e da cana de açúcar, sem qualquer vínculo com a atividade desenvolvida pelo plano de saúde.

Operação Loki

A corporação informou que 150 policiais participaram da ação, que contou com apoio das polícias civis de Goiás, Mato Grosso e Rondônia. A operação foi batizada de "Loki" o pai da mentira na mitologia nórdica.

Penas para os crimes praticados:

  • Falsidade ideológica: prisão de um a cinco anos
  • Falsificação de documentos: reclusão de um a cinco anos
  • Apropriação indébita: reclusão de um a quatro anos
  • Lavagem de dinheiro: reclusão de três dez anos
  • Organização criminosa: reclusão de três a oito anos

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