Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Polícia identifica suspeitos de tortura a vereador e caça grupo

Forças de segurança procuram envolvidos no ataque a Wesley Cláudio e à família; criminosos exigiram R$ 1 milhão alegando que valor seria destinado à compra de votos, mas polícia diz ser prematuro apontar motivação

Polícia identifica suspeitos de tortura a vereador e caça grupo
Rep. Diario de Cuiaba

A polícia já identificou suspeitos de participação no roubo em que o vereador Wesley Cláudio (Novo), a esposa e os dois filhos foram mantidos em cárcere privado e torturados dentro da residência da família, em Rondonópolis. O crime ocorreu na madrugada de segunda-feira (28), e uma força-tarefa permanece mobilizada para localizar os envolvidos.


A informação sobre o avanço das investigações foi dada pela secretária de Estado de Segurança Pública, coronel Susane Tamanho. Segundo ela, já existem “algumas identificações”, mas os nomes e a quantidade de suspeitos não foram divulgados para não prejudicar as diligências. 


Equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar participam das buscas, com reforço da Força Tática, Ronda Ostensiva Tático Metropolitana (Rotam) e Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
“A gente vai continuar enfrentando quem quer que seja, vai dar a devida resposta e não vai descansar enquanto essas pessoas não forem presas e entregues à Justiça”, afirmou a secretária. 


Um dos principais elementos encontrados depois do crime foi o Volkswagen Polo da família, levado pelos criminosos durante a fuga. O automóvel foi localizado abandonado e encaminhado para perícia. A residência onde ocorreu o ataque também passou pelo trabalho da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).


R$ 1 MILHÃO
Um dos pontos que mais chamam atenção na investigação é a exigência feita pelos assaltantes durante as quase quatro horas em que permaneceram na residência.
Segundo o relato apresentado à polícia, os criminosos queriam encontrar R$ 1 milhão que supostamente estaria guardado no imóvel. Eles teriam dito às vítimas que haviam recebido a informação de que o dinheiro seria destinado à compra de votos.
Também conforme o relato de uma das vítimas, os invasores disseram que monitoravam Wesley havia cerca de três dias antes de entrar na casa.


A existência do suposto R$ 1 milhão não foi comprovada. Os criminosos não encontraram a quantia e acabaram levando aproximadamente R$ 42 mil, além de celulares, bijuterias, duas alianças e o automóvel da família. 


A Polícia Civil ressalta que ainda é prematuro atribuir motivação definitiva ao crime, seja patrimonial ou política. Todas as circunstâncias, inclusive a origem da informação sobre o suposto dinheiro e a possibilidade de participação de outros envolvidos, continuam sendo investigadas. 


TORTURA
Wesley, a esposa, de 40 anos, e os filhos, de 18 e 9 anos, foram amarrados e agredidos. Segundo a Polícia Militar, o grupo armado entrou no imóvel por volta da meia-noite e permaneceu no local até aproximadamente 3h50. 


Durante as agressões, o vereador foi atingido com uma coronhada na cabeça e teve parte da orelha direita arrancada. A esposa foi agredida e sofreu duas tentativas de enforcamento, chegando a perder a consciência em uma delas. Os criminosos também ameaçaram cortar a mão do filho mais novo caso o parlamentar não revelasse onde estaria o dinheiro. 


O vereador e a mulher receberam alta médica e compareceram à delegacia para prestar depoimento. O caso é investigado inicialmente como roubo qualificado, com restrição da liberdade das vítimas e lesão corporal de natureza grave.


Além de tentar localizar os autores, a investigação busca esclarecer quem forneceu aos criminosos a informação de que haveria R$ 1 milhão na residência, por que o vereador teria sido monitorado previamente e se pessoas que estavam fora do imóvel davam suporte ao grupo durante o ataque. Segundo a secretária de Segurança, as vítimas relataram que os invasores mantinham contato com outras pessoas que possivelmente acompanhavam a ação do lado de fora

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