Quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Policial penal entrou com 100 celulares em lata de tinta na PCE, revela Gaeco

Equipamentos teriam sido entregues ao detento Lacoste

Policial penal entrou com 100 celulares em lata de tinta na PCE, revela Gaeco
Foto: Arquivo Colíder News

Uma das denúncias feitas ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que culminaram na deflagração da operação "Caixa de Pandora", aponta que o sub-diretor da Penitenciária Central do Estado de Mato Grosso (PCE), Reginaldo Alves dos Santos, conhecido como "Peixe", chegou a entrar com mais de 100 aparelhos celulares dentro de uma lata de tinta. Os equipamentos foram entregues no raio 5 da unidade prisional onde está recluso o criminoso Fábio Aparecido Marques do Nascimento, o Lacoste.


A informação consta em um inquérito policial, que teve parte do conteúdo divulgado pelo programa "Cadeia Neles" nesta quinta-feira (13). A operação Caixa de Pandora foi deflagrada no dia 6 de junho deste ano para desarticular um grupo que promove a articulação para garantir a entrada de materiais ilícitos, tais como aparelhos celulares e acessórios, nas unidades prisionais da capital, obtendo vantagem econômica ilícita e causando inúmeros prejuízos à segurança pública dentro e fora do estado.

Ao todo, 20 pessoas, incluindo policiais penais e advogados, foram alvos de 43 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres. Conforme a denúncia, Peixe era tido como um dos principais fornecedores de celulares na PCE e todos os presos sabiam disso.

"Sustentou que todos sabem que Regina vulgo "Peixe", sub-diretor da Penitenciária Central do Estado de Mato Grosso, é o principal fornecedor de aparelho celulares para os presos do Raio 5, especialmente para o preso Fábio Aparecido Marques do Nascimento, vulgo "Lacoste"", traz trecho do dcoumento. Ainda conforme as informações, a denúncia aponta que cada aparelho celular dentro do sistema prisional custaria em torno de R$ 2 mil.

"Aduziu que uma semana após sair do setor de manutenção, o depoente soube por meio de presos que Peixe chegou a entrar, ele mesmo, com mais de 100 aparelhos celulares dentro de uma lata de tinta, a qual teria entregue no Raio 5, da PE, ao preso Lacoste. Arremata dizendo que tem certeza do envolvimento de outros agentes no esquema, mas não soube individualizar o nome dos agentes públicos envolvidos", traz trecho do inquérito.Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), ação do Gaeco incluiu buscas em três unidades prisionais de Cuiabá e Várzea Grande e na sede da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária, tendo servidores como alvos da ação.

Conforme a Pasta, o foco das investigações não é a gestão do Sistema Penitenciário e as buscas foram feitas em computadores e equipamentos utilizados especificamente pelos investigados. A Sesp ressalta que aguarda informações do Gaeco para definição e adoção imediata de medidas administrativas e reforça que não apoia práticas criminosas e desvios de conduta na prestação de serviços à sociedade. Segundo o Gaeco, as ordens judiciais foram expedidas pelo juiz João Bosco Soares da Silva, do Núcleo de Inquéritos Policiais.

Conforme o Gaeco, os elementos probatórios colhidos durante a investigação demonstram que servidores do Sistema Penitenciário ingressaram e ou facilitaram a entrada de aparelhos celulares e acessórios na Penitenciária Central do Estado, os quais eram utilizados pelos presos. Através dos dispositivos, os detentos praticavam e ordenavam vários crimes extramuros.

Também foi constatado que o ingresso dos aparelhos era facilitado através de advogados, que se valiam da prerrogativa de sua profissão para entregar aparelhos celulares, componentes e acessórios durante visitas aos internos no parlatório. Os quatro advogados investigados tiveram suspenso o direito de exercício profissional por decisão judicial.

As investigações revelaram também que um freezer novo, contendo sinais de violação, foi introduzido na PCE com o objetivo de transportar inúmeros aparelhos celulares em seu interior. A denominação “Caixa de Pandora” é uma metáfora usada para caracterizar ações que, negligenciando o princípio de precaução, desencadeiam consequências maléficas, terríveis e irreversíveis.

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VEJA ALVOS DA OPERAÇÃO

1- Reginaldo Alves dos Santos, vulgo “Peixe” (Policial Penal)

2 - Revétrio Francisco da Costa (Policial Penal)

3 - Altamira Martins Brandão (Policial Penal)

4 - Ronaldo Reis Gomes da Silva (Assistente Penitenciário)

5 - Ronaldo do Carmo Reis (Policial Penal)

6 - Jorge da Silva Moraes (Policial Penal)

7 - Márcio Malan Soares Ferreira (Policial Penal)

8 - Eudes Rodrigo Gonçalves (Policial Penal)

9 - Paulo Sérgio Coelho (Policial Penal)

10 - Matheus Henrique Pereira Noronha de Oliveira (Policial Penal)

11 - Nelson Leite da Silva (Policial Penal)

12 - André Magno da Silva (ex-detento)

13 - Elvira Kelli Almeida Cruz (Advogada)

14 - Fabiana Félix de Arruda Souza (Advogada)

15 - Cleberson dos Santos Silva Schmit, vulgo “Binho” (Advogado)

16 - Luiz Otávio Natalino, vulgo “Otaviano” (Policial Penal)

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