Uma das denúncias feitas ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que culminaram na deflagração da operação "Caixa de Pandora", aponta que o sub-diretor da Penitenciária Central do Estado de Mato Grosso (PCE), Reginaldo Alves dos Santos, conhecido como "Peixe", chegou a entrar com mais de 100 aparelhos celulares dentro de uma lata de tinta. Os equipamentos foram entregues no raio 5 da unidade prisional onde está recluso o criminoso Fábio Aparecido Marques do Nascimento, o Lacoste.
A informação consta em um inquérito policial, que teve parte do conteúdo divulgado pelo programa "Cadeia Neles" nesta quinta-feira (13). A operação Caixa de Pandora foi deflagrada no dia 6 de junho deste ano para desarticular um grupo que promove a articulação para garantir a entrada de materiais ilícitos, tais como aparelhos celulares e acessórios, nas unidades prisionais da capital, obtendo vantagem econômica ilícita e causando inúmeros prejuízos à segurança pública dentro e fora do estado.
Ao todo, 20 pessoas, incluindo policiais penais e advogados, foram alvos de 43 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres. Conforme a denúncia, Peixe era tido como um dos principais fornecedores de celulares na PCE e todos os presos sabiam disso.
"Sustentou que todos sabem que Regina vulgo "Peixe", sub-diretor da Penitenciária Central do Estado de Mato Grosso, é o principal fornecedor de aparelho celulares para os presos do Raio 5, especialmente para o preso Fábio Aparecido Marques do Nascimento, vulgo "Lacoste"", traz trecho do dcoumento. Ainda conforme as informações, a denúncia aponta que cada aparelho celular dentro do sistema prisional custaria em torno de R$ 2 mil.
"Aduziu que uma semana após sair do setor de manutenção, o depoente soube por meio de presos que Peixe chegou a entrar, ele mesmo, com mais de 100 aparelhos celulares dentro de uma lata de tinta, a qual teria entregue no Raio 5, da PE, ao preso Lacoste. Arremata dizendo que tem certeza do envolvimento de outros agentes no esquema, mas não soube individualizar o nome dos agentes públicos envolvidos", traz trecho do inquérito.Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), ação do Gaeco incluiu buscas em três unidades prisionais de Cuiabá e Várzea Grande e na sede da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária, tendo servidores como alvos da ação.
Conforme a Pasta, o foco das investigações não é a gestão do Sistema Penitenciário e as buscas foram feitas em computadores e equipamentos utilizados especificamente pelos investigados. A Sesp ressalta que aguarda informações do Gaeco para definição e adoção imediata de medidas administrativas e reforça que não apoia práticas criminosas e desvios de conduta na prestação de serviços à sociedade. Segundo o Gaeco, as ordens judiciais foram expedidas pelo juiz João Bosco Soares da Silva, do Núcleo de Inquéritos Policiais.
Conforme o Gaeco, os elementos probatórios colhidos durante a investigação demonstram que servidores do Sistema Penitenciário ingressaram e ou facilitaram a entrada de aparelhos celulares e acessórios na Penitenciária Central do Estado, os quais eram utilizados pelos presos. Através dos dispositivos, os detentos praticavam e ordenavam vários crimes extramuros.
Também foi constatado que o ingresso dos aparelhos era facilitado através de advogados, que se valiam da prerrogativa de sua profissão para entregar aparelhos celulares, componentes e acessórios durante visitas aos internos no parlatório. Os quatro advogados investigados tiveram suspenso o direito de exercício profissional por decisão judicial.
As investigações revelaram também que um freezer novo, contendo sinais de violação, foi introduzido na PCE com o objetivo de transportar inúmeros aparelhos celulares em seu interior. A denominação “Caixa de Pandora” é uma metáfora usada para caracterizar ações que, negligenciando o princípio de precaução, desencadeiam consequências maléficas, terríveis e irreversíveis.
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VEJA ALVOS DA OPERAÇÃO
1- Reginaldo Alves dos Santos, vulgo “Peixe” (Policial Penal)
2 - Revétrio Francisco da Costa (Policial Penal)
3 - Altamira Martins Brandão (Policial Penal)
4 - Ronaldo Reis Gomes da Silva (Assistente Penitenciário)
5 - Ronaldo do Carmo Reis (Policial Penal)
6 - Jorge da Silva Moraes (Policial Penal)
7 - Márcio Malan Soares Ferreira (Policial Penal)
8 - Eudes Rodrigo Gonçalves (Policial Penal)
9 - Paulo Sérgio Coelho (Policial Penal)
10 - Matheus Henrique Pereira Noronha de Oliveira (Policial Penal)
11 - Nelson Leite da Silva (Policial Penal)
12 - André Magno da Silva (ex-detento)
13 - Elvira Kelli Almeida Cruz (Advogada)
14 - Fabiana Félix de Arruda Souza (Advogada)
15 - Cleberson dos Santos Silva Schmit, vulgo “Binho” (Advogado)
16 - Luiz Otávio Natalino, vulgo “Otaviano” (Policial Penal)


