Quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Por determinação do Banco Central: Nubank passara por mudanças.

Agora, isso vai mudar. E a mudança começa por uma resolucão do Banco Central que passou quase despercebida pelo grande público.

Por determinação do Banco Central: Nubank passara por mudanças.
Foto: Arquivo Colíder News
Por determinacao do Banco Central: Nubank passara por mudanças.

Com 113 milhoes de clientes no Brasil e R$ 45 bilhoes em investimentos
anunciados, o "roxinho" deixa de ser fintech e entra no time dos bancos. O gatilho foi uma resolucao do Banco
Central que poucos perceberam.

Por mais de doze anos, o Nubank construiu um imperio financeiro sem ser, tecnicamente, um banco.
Enquanto 62% dos adultos brasileiros usavam o aplicativo roxo para pagar contas, fazer transferências e
acumular crédito, a empresa operava juridicamente como instituição de pagamento - uma categoria
diferente, com regras diferentes e com uma palavra proibida no nome: "banco".

Agora, isso vai mudar. E a mudança começa por uma resolucão do Banco Central que passou quase
despercebida pelo grande público.

A regra que forçou a decisão

O Banco Central determinou que instituições de pagamento e fintechs não utilizem, em seus nomes,
expressões como "banco" ou "bank" se não tiverem autorização formal para operar como banco.

A Resolucao Conjunta n° 17, publicada em dezembro de 2025 pelo Banco Central e pelo Conselho Monetario
Nacional, estabelece que apenas instituições com autorização formal para operar como banco podem usar o
termo em suas marcas comerciais.

Após a publicacão, as fintechs que utilizavam "bank" no nome receberam prazo de 120 dias para apresentar
plano de adequação.

Para o Nubank, a conta era simples: mudar o nome de uma marca avaliada em bilhoes e reconhecida em tres
países - ou se tornar banco de verdade. A segunda opcao foi descartada de imediato, dado o valor global da
marca, a presença internacional da empresa e o custo gigantesco de rebranding.

O plano de R$ 45 bilhões: o que está por trás do número

Em 27 de abril de 2026, o Nubank anunciou investimentos de aproximadamente R$ 45 bilhoes no Brasil em
2026, volume que quase dobrou nos últimos dois anos.

Os recursos serão destinados a quatro frentes: desenvolvimento de plataformas de crédito com inteligência
artificial, lançamento de novos produtos, expansão de escritórios e times pelo país - com R$ 2,5 bilhões para
infraestrutura nos próximos cinco anos - e reforço da base de capital.

Mas há um detalhe técnico que a maioria dos noticiários não destacou: o anúncio de R$ 45 bilhões usa
definição ampla de investimento - inclui reinvestimento do resultado da operação brasileira, despesas
operacionais e tributos recolhidos, além de capex e infraestrutura tecnológica.

Não é, portanto, um cheque novo de R$ 45 bilhões chegando ao Brasil. É o conjunto das atividades econômicas
do Nubank no país. Isso não diminui o peso do movimento - mas contextualiza o número.

O que muda - e o que não muda - para quem usa o roxinho

Embora seja popularmente um banco digital, o Nubank opera como instituição de pagamento e, para atender
às exigências do BC, busca obter uma licença bancária plena para 2026, permitindo expandir serviços e ter mais
controle regulatório, sem perder sua identidade.

Na prática, a licença abre portas que a fintech ainda não pode cruzar. Operar como banco exige capital
minimo mais elevado e supervisao mais intensa do Banco Central, mas viabiliza produtos que não estão
disponíveis às sociedades de crédito direto, como captação por depósito a prazo e câmbio.

Para o cliente comum, a transicão não deve causar impacto imediato. O Nubank afirma que a mudanca não tem
qualquer impacto para os clientes e que todas as operações seguem normalmente. Os cartões continuam
funcionando, a caixinha continua rendendo e o aplicativo roxo segue igual - por enquanto.

O Nubank que chegou a Febraban - depois de brigar com ela

Março de 2026 trouxe uma cena improvavel: o Nubank, a empresa que perturbou os grandes bancos durante
uma década, ingressou na Febraban - a entidade que representa exatamente esses bancos.

A entrada do Nubank na Febraban vem num momento em que a fintech planeja ter uma licença bancaria no
Brasil, apos as novas regras do Banco Central que proibiram o uso de "bank" ou "banco" sem autorizacao. O
ingresso ocorreu a partir de recomendacão favorável do conselheiro Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú
Unibanco, na primeira reunião ordinária de 2026.

A ironia e historica. Nao faz muito tempo, a Febraban criticou publicamente o Nubank. A entidade classificou
postagem do CEO David Vélez como "totalmente enviesada" e apontou que "97,7% da carteira Pessoa Física da
companhia e destinada as linhas mais caras de mercado: cartao de credito e pessoal nao consignado, com
zero em financiamento imobiliário, de veículos e para o agronegócio." Hoje, os dois sentam à mesma mesa.

Os números que explicam por que o Nubank não vai quebrar

O rumor de que o Nubank estaria a beira de uma crise circula periodicamente nas redes sociais. Os dados
contam outra história.

O Nubank encerrou 2025 com receita total de R$ 91 bilhoes, crescimento de 45% em comparação anual
excluindo os efeitos do câmbio. Com mais de 131 milhões de clientes globalmente - receita de US$ 16,3
bilhões e lucro de US$ 2,9 bilhões em 2025 - o Nubank já é um dos maiores players financeiros do mundo.

A instituição soma 113 milhões de clientes só no Brasil, o que equivale a mais de 60% da população adulta.
Nenhuma empresa nesse patamar de resultado desaparece sem aviso - e os numeros do Nubank nao apontam
nessa direção.

De S2 para S1: o que a licenca pode mudar no sistema financeiro

O Nubank já está classificado pelo Banco Central como instituição do segmento S2 - instituições grandes,
mas com menor impacto sistemico do que os gigantes como Itau e Caixa. Com a licença bancaria plena, a
tendencia e que a fintech avance para o segmento S1, o que implicara exigencias regulatorias mais rigidas -
e também mais credibilidade institucional.

O investimento de R$ 45 bilhoes nao é apenas expansão, é consolidação. E a licença bancária não é obrigação
regulatória - é evolução estratégica.

Para o Brasil, a transformacao do Nubank em banco tem um efeito que vai alem do roxinho: mantem
pressão competitiva sobre os bancos tradicionais - a mesma pressão que, nos últimos doze anos, eliminou
anuidades de cartão de crédito, zerou tarifas de conta e forçou os "bancoes" a criarem seus próprios
aplicativos mais ágeis. Quando o desafiante sobe de categoria, o sistema inteiro precisa responder.

Autor: Samuel Camelo
Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saude do Brasil - www.jasb.com.br.
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