Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Professores denunciam padre do Colégio Salesiano por assédio moral: "constantes abalos emocionais"

Entidade sindical acusa a direção do Colégio Salesiano São Gonçalo de práticas que teriam provocado adoecimento emocional e desgaste entre trabalhadores.

Professores denunciam padre do Colégio Salesiano por assédio moral: "constantes abalos emocionais"
Foto: Arquivo Colíder News
Professores e funcionários administrativos do Colégio Salesiano São Gonçalo, em Cuiabá, denunciaram ao Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino do Estado de Mato Grosso (Sintrae-MT) uma séria de assédio moral por parte do diretor, padre Marcelo Fujimura. As denúncias acusam o colégio católico de manter uma gestão marcada por autoritarismo, intolerância, hostilidade e perseguição a profissionais da educação.


No documento, a entidade afirma que o suposto assédio moral é "permanente, reiterado e progressivo", causando abalos emocionais e adoecimento de professores e funcionários da instituição. uma série de supostas irregularidades na gestão da instituição. Com base nos relatos recebidos, o sindicato publicou uma carta aberta cobrando explicações do diretor da unidade, padre Marcelo Fujimura, do vice-diretor, padre Danilo Guedes, e da coordenadora pedagógica, Michela Falcão.

Segundo o Sintrae-MT, os trabalhadores relataram que, desde o início da atual gestão, o ambiente de trabalho passou a ser marcado por episódios de assédio moral, perseguições e constrangimentos, afetando professores e servidores administrativos.

"Esse assédio moral, permanente, reiterado e progressivo, praticado por Vossa Senhoria e os citados dois integrantes de sua equipe, tem provocado constantes e crescentes abalos emocionais e adoecimento dos/as professores/as e dos/as administrativos/as", cita parte do documento.

Na carta, o sindicato afirma que as denúncias apontam para práticas como tratamento considerado desrespeitoso aos funcionários, cobranças administrativas fora da jornada de trabalho, entrada de membros da direção em salas de aula sem comunicação prévia, elaboração de relatórios com avaliações consideradas abusivas e abordagens a estudantes para obter críticas ao desempenho de professores.

A entidade também sustenta que os relatos indicam um cenário de insegurança, autoritarismo, hostilidade e intolerância religiosa, além de impactos na saúde emocional dos trabalhadores e no ambiente escolar.

Ao longo do documento, o Sintrae-MT questiona a forma como a instituição vem sendo administrada e cobra uma mudança de postura da direção, afirmando que recebeu as denúncias no exercício de sua função de representar os profissionais da educação.

Até o momento, o Colégio Salesiano São Gonçalo, o diretor padre Marcelo Fujimura, o vice-diretor padre Danilo Guedes e a coordenadora pedagógica Michela Falcão não se manifestaram sobre as acusações. O espaço segue aberto para que os citados apresentem sua versão dos fatos.

Leia a notificação ompleta do sindicato ao padre:

Pe. Marcelo Fujimura

Senhor diretor,

Sem rodeios, é preciso que se diga à comunidade e a todos quantos reconhecem a trajetória e a relevância do Colégio Salesiano São Gonçalo para a construção do estado de Mato Grosso, nos seus 132 anos de história em Cuiabá, que os poucos meses de gestão de Vossa Senhoria têm sido marcados pela desconstrução do ambiente escolar saudável e harmonioso, fundado no desenvolvimento do projeto salesiano, no respeito às relações profissionais, no diálogo permanente, cultivado e realizado por décadas a fio.

Sua curta gestão tem se pautado pela insegurança, autoritarismo desmedido, intolerância, hostilidade e perseguição aos profissionais da educação (professores/as e administrativos/as). Isso se constata por diversas atitudes e condutas de Vossa Senhoria, do senhor vice-diretor – Pe. Danilo – e da senhora coordenadora pedagógica – Michela Falcão –, todas alheias aos princípios constitucionais que regem o ensino, com destaque para a liberdade de aprender e ensinar e o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas (Art. 206, da Constituição Federal (CF)). Cabendo registrar que Vossa Senhoria tem afirmado e reafirmado que não arredará um milímetro dessas atitudes e condutas.

Dentre tais atitudes e condutas incompatíveis com a educação, que é o primeiro e mais importante direito social da sociedade brasileira, conforme o Art. 6º da CF, sobressaem:

I           a grosseria no trato com professores/as e administrativos/as. Aliás, vale anotar que Vossa Senhoria, em mais de uma oportunidade, repetiu que “simpatia é a única dádiva que Deus não lhe confiou”;

II      intolerância religiosa e desrespeito à diversidade;

III cobranças abusivas de excessivo volume de demandas administrativas, frequentemente comunicadas fora da jornada de trabalho;

 
IV        afrontosa invasão de salas de aulas, pelo vice-diretor Pe. Danilo e pela coordenadora pedagógica Michela Falcão, sem sequer aviso e comunicação prévios, com o claro e ostensivo mau propósito de constranger o/a professor/a, como se fossem censores;

V         relatórios subjetivos, contendo observações abusivas e avaliações negativas do trabalho docente, em total e inaceitável censura e desqualificação do/a professor/a vigiado/a;

VI        abordagens enviesadas de alunos/as, visando a deles/a obter avaliações pejorativas de seus/suas professores/as;

VII     coação aos/às professores/as, na presença de alunos/as, com considerações inoportunas, descontextualizadas e alheias ao ambiente da sala de aula.

Esse assédio moral, permanente, reiterado e progressivo, praticado por Vossa Senhoria e os citados dois integrantes de sua equipe, tem provocado constantes e crescentes abalos emocionais e adoecimento dos/as professores/as e dos/as administrativos/as. Bem assim, gerado descontentamento generalizado entre eles/as, com absoluta desmotivação e perda de confiança do ambiente de trabalho.

Por tudo isso, que representa singela síntese do assédio moral que Vossa Senhoria pratica,  patrocina e reitera, o Sintrae-MT, que tem o inarredável dever constitucional de bem representar os/as trabalhadores/as que são as vítimas de sua antidemocrática gestão, pergunta-lhe: até quando, Senhor diretor, Vossa Senhoria vai continuar tratando a educação ministrada pelo Colégio Salesiano São Gonçalo como mercadoria, os alunos como clientes e os/as trabalhadores/as como balconistas, que têm como missão vendê-la?

Fazendo-o em absoluto desprezo e inversão dos comandos do Art. 205 da CF, que estabelecem os objetivos da educação, que são: pleno desenvolvimento da pessoa humana, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Sempre observados pelo Colégio Salesiano, até o início de sua gestão.

Até quando, Senhor diretor, Vossa Senhoria vai continuar transformando o ambiente escolar em calvário para os/as trabalhadores/as e para os/as alunos/as?

Até quando, Senhor diretor, Vossa Senhoria vai fazer tábula rasa do trabalho decente e do ambiente de trabalho sadio, seguro e aprazível?

Até quando, Senhor diretor, Vossa Senhoria vai continuar tratando os/as trabalhadores/as como meros instrumentos de trabalho, sem qualquer respeito e valorização humana?

Com a palavra, Senhor diretor!

Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos De Ensino do Estado de Mato Grosso
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