Quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Quase 15 anos depois, produtor que matou Katherine e Diego enfrenta júri

Ferida de Rosinéia Guimarães, que convive há tanto tempo com a impunidade, pode enfim se fechar nos corredores do Fórum de Cuiabá, na manhã do dia 30

Quase 15 anos depois, produtor que matou Katherine e Diego enfrenta júri
Foto: ReproduçãoFoto: Arquivo Colíder News

Rememorando a canção atemporal de Raul Seixas, 'Prelúdio', a advogada Rosinéia Guimarães lembra com carinho o sonho do filho, Diego Bittencourt: ver um mundo com mais paz.


O sonho, entretanto, foi interrompido em 2007, quando o menino foi atropelado e morto, junto da irmã, Katherine Guimarães, pelo produtor rural Celzair Santana. Quase 15 anos depois, um dos sonhos da mãe talvez seja realizado, o de ver, finalmente, a justiça sendo feita. Nesta quinta-feira (30), após sucessivos adiamentos, Celzair deve enfrentar o Tribunal do Júri do Fórum de Cuiabá. 

"Um sonho sonhado sozinho, é um sonho. Esse sonho, primeiro, era o sonho do Diego, para que as pessoas tivessem mais amor, união e que o mundo tivesse mais paz. Esse sonho, ele não conseguiu realizar", lamentou a mãe ao HNT. 

Mais do que justiça pelos próprios filhos, Rosinéia encara o julgamento como a esperança de que as pessoas se conscientizem que, assim como seus filhos, outras crianças podem morrer em decorrência da imprudência no trânsito. No dia do acidente, em Poconé, Celzair estava embriagado. 

"Na verdade, não é pela Katherine e pelo Diego, porque eles não voltam, mas é por todas as crianças que estão por aí (...) Eu acredito que se houver o júri realmente e ele sair de lá com uma punição, vai servir de lição para que as pessoas entendam que álcool e volante não combinam", disse. 

O julgamento também marca um desfecho para a mãe que travou árduas batalhas durante mais de uma década. Mesmo abalada e sem muitos recursos, Rosinéia se formou em Direito após a morte dos filhos e atingiu o grau de mestre para lutar por justiça. Durante todo esse tempo, entretanto, ela teve que continuar convivendo com a dor da impunidade. 

"A cada movimentação do processo é lembrar tudo de novo e pior porque quando você lembra tudo de novo, você lembra que está impune, essa é a pior parte do que lembrar. Se tivesse uma justiça... Mas lembrar sabendo da injustiça, aí dói dobrado", comentou. 

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A ferida de conviver com tantos anos de impunidade, por outro lado, pode, enfim, fechar-se nos corredores do Fórum de Cuiabá, na manhã do dia 30. Para Rosinéia, o sentimento talvez seja de ela mesma deixar uma prisão. 

"Eu vou conseguir seguir com a minha vida, porque parece que eu fico presa. Na verdade, ele está livre e eu que estou presa", declarou. 

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