Artroses, lesões e atrofias musculares são verdadeiras pragas do envelhecimento. Causam dor, reduzem a capacidade funcional e comprometem a qualidade de vida. Analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides e fisioterapia são utilizados, mas com resultados limitados. O envelhecimento promove um estado pró-inflamatório que favorece lesões degenerativas. Diversas estratégias têm buscado reverter esse cenário, como células-tronco mesenquimais, injeções de fatores de crescimento, terapia genética, plasma rico em plaquetas e implante autólogo de condrócitos.
A boa notícia é que o laboratório da Dra. Helen Blau, PhD e bióloga da Stanford University, reconhecida por seus estudos em células-tronco, abre novas perspectivas para a regeneração de músculos e cartilagens.
A “geroenzima” 15-PGDH
Essa equipe investiga como o ambiente celular se altera com a idade e como pequenas moléculas ou outras intervenções podem restaurar a função das células-tronco musculares e cartilaginosas. Identificaram a 15-hidroxiprostaglandina desidrogenase (15-PGDH) como uma “geroenzima” que contribui para a deterioração relacionada ao envelhecimento. Publicações sugerem que a supressão dessa enzima pode rejuvenescer células-tronco musculares e melhorar a função muscular, além de estimular células cartilaginosas a produzirem matriz extracelular típica da cartilagem articular saudável. [1,2]
Implicações
Essas pesquisas ainda estão em fase pré-clínica, realizadas apenas em camundongos e tecidos humanos. No entanto, já nos aproximamos de ensaios em humanos graças a dados de segurança existentes. Um inibidor oral da 15-PGDH demonstrou segurança em um estudo de Fase 1 (para fraqueza muscular relacionada à idade), o que pode acelerar a aprovação para ensaios específicos em cartilagem. Evidentemente, efeitos desconhecidos a longo prazo no metabolismo das prostaglandinas exigem monitoramento cuidadoso.
A 15-PGDH está sendo investigada como uma enzima relacionada ao envelhecimento em múltiplos tecidos. A ideia é que, ao focar em um mecanismo comum do envelhecimento, seja possível rejuvenescer os tecidos em vez de apenas tratar os sintomas.
Imaginem o impacto dessa estratégia no tratamento de artroses (joelhos, quadris, ombros), fragilidade, distrofias musculares, períodos de inatividade e até na preservação muscular durante emagrecimento com uso das populares “canetinhas” de agonistas de peptídeo semelhante ao glucagon-1. Seria benéfico não apenas para idosos, mas também para obesos e esportistas.
Atualmente, terapias com células-tronco e fatores de crescimento são as estratégias regenerativas mais avançadas, já em testes clínicos. Espera-se que o desenvolvimento dos inibidores da 15-PGDH possa aprimorar tratamentos voltados à regeneração do sistema musculoesquelético e, quem sabe, de outros sistemas.
É um sonho a caminho da realidade. Digo isso em benefício próprio, pois tenho próteses nos quadris, cirurgia na coluna e artrose nos ombros. Haja fisioterapia!
O Dr. Mauricio Wajngarten pratica cardiologia clínica em São Paulo e é livre docente em cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Foi editor-chefe das revistas da Associação Médica Brasileira e da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, e é um dos fundadores do Departamento de Cardiologia Geriátrica da Sociedade Brasileira de Cardiologia.


