Os registros de novas armas de fogo concedidos pela Polícia Federal nos seis primeiros meses deste ano chegaram a 89% do total de todo o ano passado. Até junho, haviam sido 73.985 registros. Nos 12 meses de 2019, foram 82.663.
O registro é o documento, com validade de dez anos, que autoriza o proprietário de arma de fogo a mantê-la exclusivamente no interior de sua residência ou no seu local de trabalho. É diferente do porte de arma (direito de andar armado).
As regras para a compra, registro, porte e venda de armas e munição são estabelecidas pelo sistema nacional de armas, da PF, e o sistema de gerenciamento militar de armas, do Exército. Procurado, o Exército não informou os números de 2019 e 2020.
Medidas de flexibilização
Desde o início do mandato, o presidente Jair Bolsonaro vem tomando medidas para facilitar a obtenção e o registro de armas de fogo e munição, uma de suas promessas de campanha.
Entre as alterações feitas via decretos e portarias, estão as que atingem colecionadores, atiradores e caçadores . Foi permitido a eles circularem com a arma municiada, pronta pra atirar. O que, na prática, seria o porte da arma. Também foi liberado o acesso a armas de maior potencial de fogo - um fuzil semiautomático, que antes não era permitido, passou a ser permitido para os CACs.
Bolsonaro também assinou uma portaria que aumenta a quantidade de munição que pode ser comprada por civis que têm direito ao porte e à posse de arma. De 200 unidades por ano para 550 por mês.
Por determinação do presidente, o Exército revogou portarias sobre rastreamento de armas e munições. Na prática, sem as portarias, o rastreamento fica mais difícil. O Ministério Público Federal (MPF) pediu informações ao Exército sobre as revogações.
Além disso, um projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso no ano passado, já aprovado pela Câmara, prevê entre outros pontos, o aumento da lista das categorias profissionais com direito ao porte de armas. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado. O projeto também tira a obrigatoriedade de marcação das armas das forças de segurança.
Para Michele dos Ramos, assessora especial do Instituto Igarapé, entidade que monitora dados da área de segurança, o projeto é "grave" porque, entre outros pontos, facilita o desvio de armas e munição.


