Um dos líderes do Democratas em Mato Grosso, o ex-governador Júlio Campos afirmou que o partido cometeu uma série de falhas nas eleições deste ano, o que culminou em um resultado abaixo do esperado nas urnas.
O balanço foi feito pelo político na saída de uma reunião realizada pela cúpula do DEM no Palácio Paiaguás, na manhã desta segunda-feira (14).
“Tratamos de analisar o resultado das eleições municipais de 2020, a situação do partido, os erros que cometemos e que poderíamos ter um resultado bem melhor do que teve. Foi abaixo do esperado”, disse ele em conversa com a imprensa.
Para Júlio, o partido saiu menor do que entrou. Conquistou 25 prefeituras, quando até então comandada 32 municípios do Estado.
“Hoje, governamos 25 municípios, o que representa apenas 10% do eleitorado de Mato Grosso”, contabilizou, ressaltando, porém, que não se tratar de uma falha do presidente estadual do DEM, Fábio Garcia, mas de todo o grupo.
De acordo com o ex-governador, o partido precisa reconhecer que não deu a assistência necessária aos municípios do interior e agora precisa trabalhar para reunificar a sigla, com foco nas eleições de governador, senador e deputados federais e estaduais em 2022.
Para Júlio, o partido que não se estruturar nos próximos anos “vai ser praticamente extinto”.
“Temos que reestruturar e nos preparar para uma eleição que vai ser difícil. Daqui a dois anos, vamos comer o pão que o diabo amassou”, afirmou.
“Daqui a dois anos, teremos 8 vagas de federais. O DEM terá que ter no mínimo 12 candidatos para eleger um ou dois. Para estadual, teremos que ter pelo menos 36 candidatos para eleger três ou quatro. Mas tem que começar agora. Descobrir lideranças novas, ir ao interior e pesquisar quem está disposto a se preparar para ser candidato, valorizar os companheiros. Hoje, não valorizamos”, completou.
“Arestas”
Júlio avaliou, ainda, que a vinculação da campanha de senador com a eleição municipal foi muito ruim para o partido, que terminou as eleições rachado e com várias “arestas” a serem aparadas.
“Uma ala ficou com [Carlos] Fávaro, outra ala com Nilson Leitão, outra ala apoiando diversos candidatos. Teve gente do DEM que apoiou a Coronel Fernanda, e foi muito forte o apoio. Teve muita gente, até candidatos a prefeitos do DEM, que foram para a campanha bolsonarista”, pontuou.
Reestruturação
Para Júlio, há necessidade de reestruturação de toda a Executiva Estadual e dos diretórios regionais. Atualmente, o partido tem diretório constituído em apenas 20 dos 141 municípios de Mato Grosso.
“Temos que reestruturar o DEM em todas as cidades. Chamar novos aliados, abrir o partido, renovar, chamar lideranças femininas, lideranças da juventude, dar um choque de gestão”, afirmou.
O político relembrou que, antigamente, o DEM fazia encontros regionais e era muito mais atuante no interior, com reuniões ao menos duas vezes por ano em cidades-polo – o que não ocorreu nos últimos dois anos.
“O nosso aliado no interior está se sentindo abandonado. Tanto é que, na realidade, o DEM perdeu muitos votos nessa eleição”, disse.


