Sábado, 22 de agosto de 2026

Saab revela novo caça não tripulado que poderá operar ao lado do Gripen

Conceito A3-01 aposta em baixa observabilidade, inteligência artificial e operação colaborativa com aeronaves tripuladas em uma nova geração de combate aéreo.

Saab revela novo caça não tripulado que poderá operar ao lado do Gripen

 Saab revelou um novo conceito de aeronave de combate não tripulada que poderá fazer parte da próxima geração de sistemas de combate aéreo da Suécia. Identificado como A3-01, o projeto apresenta uma configuração semelhante à de um caça convencional, mas foi concebido para operar sem piloto e trabalhar de forma integrada com aeronaves tripuladas.

A divulgação representa um novo passo na estratégia da fabricante sueca para o desenvolvimento de sistemas de combate colaborativo. Em vez de substituir imediatamente os caças tripulados, a proposta é ampliar suas capacidades por meio de drones capazes de executar missões de alto risco, transportar sensores e armamentos e atuar como extensões do piloto no campo de batalha. 

O A3-01 apresenta uma configuração de asa delta, uma única motorização e entradas de ar posicionadas nas laterais da fuselagem. O desenho também incorpora características associadas à redução da assinatura radar, indicando que a baixa observabilidade poderá ser uma das características importantes da futura aeronave.

A Saab ainda não divulgou especificações detalhadas do projeto. Não foram revelados, por enquanto, dados sobre velocidade, alcance, carga útil, armamentos ou dimensões. Também não está confirmado se o A3-01 será desenvolvido como uma aeronave operacional ou se funcionará inicialmente como demonstrador tecnológico para testar diferentes soluções.

A proposta está diretamente relacionada ao conceito de Collaborative Combat Aircraft, conhecido pela sigla CCA. Nesse modelo, aeronaves não tripuladas trabalham em conjunto com caças tripulados, recebendo comandos humanos e utilizando diferentes níveis de autonomia para executar determinadas tarefas.

Na prática, um caça tripulado poderá coordenar uma ou mais aeronaves não tripuladas durante uma missão. Os drones poderão realizar reconhecimento, guerra eletrônica, ataque contra alvos terrestres ou aéreos e outras funções, permitindo que a aeronave tripulada permaneça em uma posição mais segura.

A Saab vem desenvolvendo tecnologias para esse tipo de operação há alguns anos. A empresa recebeu da Administração Sueca de Material de Defesa, a FMV, um contrato de aproximadamente 2,6 bilhões de coroas suecas para continuar estudos relacionados aos futuros sistemas de combate aéreo do país. 

Aeroespaciale defesa

O programa sueco adota uma abordagem conhecida como “sistema de sistemas”, na qual diferentes plataformas e sensores trabalham de maneira integrada. O conceito envolve não apenas aeronaves de combate, mas também sistemas de comando e controle, inteligência artificial, sensores distribuídos e plataformas não tripuladas.

Um dos pontos mais importantes desse desenvolvimento está na autonomia. A intenção não é simplesmente criar um drone controlado remotamente, mas uma aeronave capaz de executar determinadas tarefas de forma autônoma enquanto permanece integrada ao sistema de combate comandado por seres humanos.

Esse conceito também poderá ter relação direta com o futuro do Gripen. A versão Gripen F, desenvolvida pela Saab para a Força Aérea Brasileira, foi projetada com espaço para dois tripulantes e poderá utilizar o segundo tripulante para funções relacionadas ao gerenciamento de sistemas não tripulados.

Nesse cenário, o operador no segundo assento poderia coordenar diferentes aeronaves autônomas enquanto o piloto concentra sua atenção na condução do caça e na missão principal. A combinação permitiria transformar o Gripen em uma espécie de centro de comando aéreo capaz de controlar diferentes elementos espalhados pelo espaço de batalha.


A arquitetura também poderá permitir que uma aeronave não tripulada assuma funções consideradas demasiadamente perigosas para um caça com piloto. Um drone poderia, por exemplo, aproximar-se de uma área fortemente defendida para obter informações sobre posições inimigas ou realizar uma missão de ataque, enquanto o caça tripulado permanece a uma distância maior.

A Saab pretende avançar rapidamente nessa área. A empresa já indicou que trabalha para realizar em 2027 o primeiro voo de uma aeronave não tripulada do porte de um caça. O demonstrador deverá servir para testar tecnologias destinadas aos futuros sistemas de combate aéreo suecos.

A iniciativa coloca a Suécia dentro de uma tendência que vem ganhando força entre as principais potências militares. Estados Unidos, Austrália e outros países estão desenvolvendo aeronaves não tripuladas destinadas a trabalhar ao lado de caças tripulados, em uma mudança que poderá alterar profundamente a maneira como as forças aéreas conduzem operações.

O desenvolvimento do A3-01 também demonstra como a  Saab pretende aproveitar a experiência acumulada com o Gripen em uma nova geração de sistemas de combate. Tecnologias de sensores, guerra eletrônica, comunicação, software, inteligência artificial e arquitetura aberta poderão desempenhar papel central na futura família de aeronaves.

Ainda não se sabe se o A3-01 dará origem a um novo caça não tripulado produzido em série. O conceito, porém, oferece uma visão importante sobre o caminho que a indústria sueca está seguindo.

A tendência aponta para um futuro no qual o poder de combate de um caça não será determinado apenas por suas próprias capacidades. A aeronave poderá atuar como parte de uma rede formada por drones, sensores, satélites e outros sistemas conectados, aumentando a quantidade de informações disponíveis ao piloto e multiplicando as opções durante uma missão.

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