Quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Saiba quem é o 'DJ traficante' que pede devolução de US$ 2 mi no STF

Réu condenado a mais de 100 anos de prisão quer dinheiro para tratamento de saúde

Saiba quem é o 'DJ traficante' que pede devolução de US$ 2 mi no STF
Foto: Arquivo Colíder News

Nascido na cidade de Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, Ricardo Cosme Silva Santos, mais conhecido como Ricardo Pancadão, foi preso em 2015 por tráfico de drogas, durante a Operação Hybris, da Polícia Federal.




Condenado a penas que somam mais de 100 anos de prisão, o megatraficante pediu, nessa quinta-feira (29/2), ao STF, a devolução de US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões) apreendidos pela PRF há mais de 10 anos.

Ricardo era uma pessoa que possuía muitos bens, andava somente de caminhonete blindada e avião. O império do traficante foi construído em oito anos. A quadrilha, conhecida como “Superman Pancadão”, movimentava, mensalmente, R$ 30 milhões no Mato Grosso.

Na época da prisão, a PF apreendeu um acervo de R$ 50 milhões, que incluía imóveis comerciais, edifícios residenciais, 12 carros de luxo, duas aeronaves, um jet ski, mais de duas mil cabeças de gado, 50 quilos de cocaína e joias. Todos os bens foram adquiridos com dinheiro ilícito.

A organização criminosa, comandada por Pancadão, contava com uma forte estrutura e graus de hierarquia. Ele recebia ajuda de um “gerente”, responsável por distribuir tarefas aos outros subordinados.

Ricardo atuava na comercialização e negociação de entorpecentes. Segundo o delegado da PF, Marco Aurélio Fáveri, que investigou o caso, a quadrilha adquiria drogas na Bolívia e entrava em território brasileiro por aviões ou veículos.

Pancadão apontado como “empreendedor”

Ricardo era o líder do grupo e sempre foi apontado como um homem empreendedor, discreto, e que se esforçava muito para solidificar a quadrilha que comandava.

Entre os itens apreendidos pela PF, estava uma Carteira de Trabalho, registrada com um salário de R$ 390, em 2007. Na época ele trabalhava como comerciante, seguiu para o ramo musical mas logo entrou para o tráfico de drogas.

O traficante costumava adotar práticas violentas para crescer no ramo do crime. Ele também aterrorizava seus inimigos e andava de carro blindado devido aos desafetos.

Ele foi condenado na Justiça de Mato Grosso a penas que somam 106 anos, 6 meses e 20 dias de prisão por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e evasão de divisas.

Pedido ao STF

Ricardo Pancadão está buscando a autorização do STF para recuperar US$ 2 milhões apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal há mais de uma década. O traficante apresentou o pedido nessa quinta-feira (29/2).

Seu advogado argumentou que Cosme, atualmente detido na Penitenciária Central de Mato Grosso, em Cuiabá, enfrenta problemas de saúde e necessita dos fundos para cobrir seus tratamentos, negando qualquer origem ilícita dos valores.

Além da restituição dos US$ 1,9 milhão apreendidos em abril de 2013 e dos US$ 161 mil em dezembro de 2011, o traficante deseja que suas contas sejam desbloqueadas, com a solicitação para que os recursos sejam transferidos para a conta do escritório de seu advogado.

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O advogado também requisitou que o caso seja tratado em sigilo pelo STF. A petição foi encaminhada ao ministro Gilmar Mendes, que já analisara anteriormente outras ações da defesa de Ricardo Cosme na Suprema Corte.

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