Um sargento da Polícia Militar foi condenado a três anos e seis meses de prisão por extorquir fazendeiros de Santo Antônio do Leste (379 km ao sul de Cuiabá) sob o pretexto de "garantir proteção" às propriedades rurais. Sempre acompanhado de um empresário da cidade, o policial exigia dinheiro em espécie com a promessa de trabalhar no local para evitar furtos e roubos.
A punição foi aplicada pelo Conselho de Sentença da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, que é composto pelo juiz de Direito Marcos Faleiros e outros quatro militares de patente maior que o réu.
As investigações da Polícia Civil que culminaram em denúncia criminal pelo Ministério Público Estadual (MPE) identificaram que o crime de extorsão foi cometido em 2015. Três vítimas foram identificadas e afirmaram que as quantias exigidas variavam de R$ 1,2 mil a R$ 1,8 mil. O comprovante do pagamento era uma "rifa" da Associação do Vale do Araguaia.
"Aí, eles chegavam com umas cartelas de bingo e forçavam a gente a comprar as cartelas em benefício (…) para ajudar crianças e o lar dos idosos. Mesmo que você não podia ficar, eles obrigavam você a ficar, de qualquer forma, eles obrigavam você a ficar", disse uma das vítimas em depoimento.
Se houvesse alguma recusa em pagar a propina, o PM e o empresário diziam que os fazendeiros "iriam precisar da polícia, porém, não iriam ajudar".
As vítimas ganhavam, então, um adesivo para o veículo da propriedade, para mostrar que estavam "apoiando" a Associação.
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"Ocorre que os proprietários rurais eram, de forma velada, indireta, constrangidos a comprarem as referidas cartelas, sob a alegação de que, se assim não fizessem, deixariam de ter a devida atenção da Polícia Militar caso precisassem dos seus serviços. Trata-se de uma exigência de forma implícita, inferida, sugestionada", disse o juiz Marcos Faleiros, autor do relatório do Conselho de Sentença.
FONTE:https://www.hnt.com.br/justica/sargento-da-pm-e-empresario-sao-condenados-por-extorsao-a-fazendeiros-em-mt/289568


