A previsão de seca no centro-norte do Brasil e temperaturas elevadas nos próximos meses coloca Mato Grosso em alerta diante dos possíveis impactos do El Niño sobre a agricultura, a pecuária e a disponibilidade de água.
As projeções foram apresentadas durante audiência da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, na última quinta-feira (24.09), que discutiu os efeitos do fenômeno climático e a necessidade de medidas de prevenção.
Segundo dados apresentados pelo professor Paulo Antunes Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o atual El Niño já registrou uma anomalia de 3°C acima da temperatura média das águas equatoriais do Oceano Pacífico em um único dia, em 19 de setembro. De acordo com o pesquisador, o índice coloca o fenômeno entre os mais intensos já registrados, antes mesmo do pico, previsto para novembro.
A Organização Mundial de Meteorologia projeta que o El Niño permaneça ativo pelo menos até fevereiro de 2027. Para o Brasil, as previsões indicam seca no centro-norte, aumento das chuvas no centro-sul e temperaturas elevadas em todo o território nacional.
Impactos para Mato Grosso
Em Mato Grosso, o cenário coloca em evidência setores diretamente dependentes das condições climáticas, principalmente agricultura e pecuária. A distribuição das chuvas e o comportamento das temperaturas nos próximos meses poderão influenciar o planejamento das atividades no campo, além da disponibilidade de água.
Durante a audiência, Horta alertou para possíveis perdas na agricultura, pecuária, pesca e maricultura, além de impactos sobre a produção de alimentos e as economias locais.
A preocupação aumenta diante da possibilidade de eventos extremos, que podem afetar tanto a produção rural quanto o abastecimento e a infraestrutura de municípios mais vulneráveis.
450 mil mortes projetadas por ondas de calor
Além dos impactos econômicos e ambientais, as altas temperaturas representam um alerta para a saúde da população.
Dados do Climate Impact Lab apresentados durante a audiência projetam aproximadamente 450 mil mortes relacionadas a ondas de calor em todo o mundo nos próximos seis meses, principalmente no Hemisfério Sul.
O Brasil aparece na quinta posição entre os países com maior impacto projetado, atrás de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia.
Prevenção
Diante das projeções, especialistas defenderam que União, estados e municípios adotem medidas de prevenção antes do agravamento dos efeitos climáticos.
A consultora legislativa da Câmara na área ambiental, Kenya Simões, afirmou que o país já possui instrumentos legais para prevenção e resposta a desastres. Entre as medidas estão planos de contingência, cadastramento de moradores em áreas de risco, sistemas de alerta, rotas de evacuação, abrigos, simulados e pontos seguros.
Segundo ela, o principal desafio é colocar essas medidas em prática e ampliar a preparação das defesas civis municipais.
Entre as normas citadas estão a Política Nacional sobre Mudança do Clima, a legislação de transferência de recursos para prevenção e resposta a desastres e a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.
O Executivo também publicou o Plano Clima – Adaptação e planos setoriais relacionados a riscos e desastres. Auditorias do Tribunal de Contas da União apontaram a necessidade de aprimorar sistemas de alerta, capacitar as defesas civis municipais e ampliar ações preventivas.
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