Sábado, 3 de outubro de 2026

Selic a 15% e renda fixa: quanto rendem R$ 10 mil no Tesouro Direto, CDBs e LCAs

Com juros ainda em patamar elevado, aplicações de baixo risco permitem ganhos relevantes

Selic a 15% e renda fixa: quanto rendem R$ 10 mil no Tesouro Direto, CDBs e LCAs
ReproduçãoFoto: Arquivo Colíder News
Enquanto os juros básicos permanecem altos, após a decisão do Banco Central pela manutenção da Selic em 15% ao ano, os investidores têm na renda fixa a chance de investir em aplicações seguras e, ainda assim, garantir retorno robusto. 

Para exemplificar quanto é possível lucrar com os investimentos em renda fixa com juros ainda elevados, o time de Research da XP calculou o rendimento de R$ 10 mil aplicados nos principais instrumentos da classe. Confira: 

Poupança
A caderneta segue como o “patinho feio” da renda fixa, posição justificada pelo menor rendimento entregue. R$ 10 mil aplicados na poupança viram R$ 10.728,79 em um ano, R$ 12.349,59 em três anos e R$ 14.298,82 em cinco anos.

A caderneta é isenta de Imposto de Renda (IR) e de fácil acesso. Por outro lado, oferece rendimento baixo, de 0,5% ao mês – ou 6,17% ao ano – mais a variação da TR (Taxa Referencial), o que dá algo em torno de 0,6% mensais. Quando a Selic cai a 8,5% ao ano ou abaixo, a regra do rendimento da poupança muda e a caderneta passa a entregar 70% da Selic mais a TR. 

Tesouro Selic
Considerado o investimento seguro do Brasil, o Tesouro Selic transforma R$ 10 mil em R$ 11.161,19 líquidos em um ano com os juros a 15%. Em três anos, a aplicação no Tesouro Selic 2031 – que pode ser resgatada antecipadamente sem prejuízos com marcação a mercado – geraria R$ 14.349,60; R$ 16.251,29 em quatro anos e R$ 18.655,31 em cinco anos. 

O cálculo considerou um título que paga 100% Selic + 0,1%, além da taxa de custódia B3 de 0,2% para valores acima de R$ 10 mil investidos no Tesouro Selic e o do imposto de renda.

Nos títulos públicos, a alíquota de IR começa em 22,5% sobre o lucro em aplicações de até 180 dias. Depois disso, cai para 20% entre 181 e 360. Na faixa entre 361 e 720 dias, o IR é de 17,5%. Acima disso, a alíquota cai para 15%. A regra também vale para os CDBs. 

CDBs 
Se o investidor aplicar R$ 10 mil em um desses ativos bancários com remuneração de 100% do CDI, consegue acumular R$ 11.166,70 em um ano. Em dois anos, o valor acumulado sobe para R$ 12.678,50. Já em cinco anos, os R$ 10 mil em CDBs alcançariam R$ 18.616,41.

LCIs e LCAs 
Para os bancários incentivados, a conta é diferente. Mesmo com a remuneração nominal menor, de 90% do CDI, o rendimento líquido seria maior, com R$ 11.312,63 acumulados em um ano, R$ 14.535,59 em três anos e R$ 18.854,80 em cinco anos. 

O cálculo considera a isenção de Imposto de Renda nesses ativos. As LCIs e LCAs são alvo de Medida Provisória que prevê a cobrança de 5% de IR a partir de 1º de janeiro de 2026, mas o texto ainda precisa ser analisado pelo Congresso Nacional. 

O que considerar antes de investir
É importante saber que a simulação considera uma Selic estável em 15% durante todo o período de aplicação, algo que não deve acontecer se as projeções do mercado estiverem corretas. 

Além disso, vale observar outros pontos importantes ao escolher investimentos de renda fixa:

Liquidez: não é diária para muitos CDBs, LCIs e LCAs;
Rentabilidade: em geral, quanto maiores taxas, maiores são os riscos de crédito das instituições emissoras;
Cobertura pelo FGC: as aplicações em CDB, LCI, LCA e poupança são cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma espécie de “seguro” que devolve ao investidor até R$ 250 mil em caso de problemas com o emissor, como uma intervenção do Banco Central. Os títulos públicos não contam com essa proteção, mas são considerados “livres de risco” porque são emitidos pelo governo federal.

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