A senadora Selma Arruda (Podemos) afirmou no início da noite de quarta-feira (15) que recebeu a confirmação da cassação de seu mandato com tranquilidade, porém, que considerou estranha a forma como foi feito o rito para votação, e que ela acabou sendo retirada do Senado sem poder se defender.
“Essa sentença [cassação] já havia sido proferida há alguns meses atrás. Cabia apenas a Mesa fazer o ato declaratório. O que me estranha é a maneira como foi feito. Marcaram uma reunião que não foi pública. Não foi permitida a minha participação nem a do meu advogado. Enfim, como sempre, as regras no Senado são inventadas ao gosto da direção”, disse ao programa “Os Pingos Nos Is”, da rádio Jovem Pan de São Paulo.
Conforme a senadora cassada, ela não teve direito à defesa, porque o Senado deu continuidade ao rito antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgar os Embargos de Declaração apresentados por sua defesa.
“Tem agora um recurso para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que nos entramos com um embargo de declaração porque a decisão do TSE tem vários pontos omissos e contraditórios. Esses embargos de declaração, ao contrário de todo outro processo que foi julgado com muita celeridade, eles estão parados no TSE. Como ninguém julga os embargos, não se abre o prazo para eu recorrer. Portanto eu estou sendo retirada do Senado sem ter a oportunidade de recorrer”
Selma revelou ainda que presenciou muita sujeira nos bastidores do Senado no período em que exerceu o seu mandato, porém, preferiu não aprofundar sobre o assunto. “Eu vi muita sujeira, muito negociata, muito complô. Tem muita coisa que o grupo Muda o Senado está levantando sobre essas práticas. Aquilo é um castelo de horrores”.
A cassação da senadora Selma Arruda por uso de caixa 2 e abuso de poder econômico foi oficializada na manhã de ontem pela Mesa Diretora do Senado. Foram cinco votos favoráveis e um contrário. O ex-vice-governador e terceiro colocado nas eleições de 2018, Carlos Fávaro (PSD) deverá tomar posse como senador.


